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SÃO PAULO – A primeira semana de fevereiro foi marcada pela divulgação, no cenário externo, do rumo da taxa básica de juro norte-americana, além dos dados do mercado de trabalho da economia dos EUA. No cenário doméstico, o destaque ficou por conta da decisão do Banco Central de realizar leilões de swap inversos aos que foram realizados em 2002.
Com os dados do mercado de trabalho norte-americano levando os investidores a acreditar em um ritmo mais lento de elevação dos Fed Funds, a bolsa paulista encerrou a semana em forte alta e os juros futuros caíram. O dólar chegou a ser negociado abaixo de R$ 2,60 e voltou a operar no menor patamar desde 2002 e também encerrou a semana em queda.
No cenário doméstico, destaque para leilões do BC
No cenário doméstico, os índices de preços seguiram apresentando, de uma maneira geral, o comportamento das semanas anteriores, revelando aceleração da inflação no varejo e desaceleração no atacado. A exceção foi o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que apresentou desaceleração, subindo 0,56%, enquanto o indicador anterior havia subido 0,67%.
As expectativas de inflação também subiram, de acordo com o relatório Focus, do Banco Central, que revelou que a mediana das projeções para a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) passou de 5,70% para 5,74%. Vale destacar que a elevação das expectativas, caso seja confirmada, pode trazer forte temor devido ao distanciamento do objetivo estipulado pela autoridade monetária, de 5,1%.
O principal destaque, entretanto, no cenário doméstico, ficou por conta dos desdobramentos relacionados ao mercado de câmbio. O Banco Central, dentro da estratégia de redução da parcela da dívida pública atrelada ao câmbio, anunciou a decisão de realizar leilões de swap inversos aos realizados em 2002, ou seja, o Banco assumirá posição ativa em variação cambial e passiva em taxas de juros.
Com isso, o dólar chegou a apresentar alta, porém, no dia seguinte ao anúncio realizado pelo banco, o forte fluxo de divisas em janeiro trouxe otimismo e voltou a pressionar a moeda norte-americana. De acordo com os dados divulgados pelo Banco Central, o fluxo de divisas em janeiro positivo em US$ 1,340 bilhão.
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Cenário externo: mercado de trabalho dos EUA
No cenário externo, o principal destaque da semana ficou por conta da reunião do Fomc, Federal Open Market Committee, órgão do Federal Reserve, banco central norte-americano, encarregado de exercer a política monetária no país.
A decisão do órgão, que elevou a taxa básica de juro norte-americana em 25 pontos base, de 2,25% ao ano para 2,50% ao ano, não surpreendeu. Uma das razões para o colegiado não acelerar o ritmo de elevações da taxa básica de juro foram as incertezas relacionadas ao rumo da economia norte-americana, inclusive relacionadas ao desempenho do mercado de trabalho.
Neste sentido, um dos mais importantes indicadores do setor, o Nonfarm Payrolls, revelou a criação de 146 mil postos de trabalho fora do setor agropecuário nos EUA, ficando abaixo das expectativas de criação de 200 mil empregos. A taxa de desemprego, por outro lado, apresentou redução, passando de 5,4% para 5,2%. Este dado foi interpretado, juntamente com declarações do presidente do Fed, o banco central norte-americano, como sinal de uma trajetória de elevações menos frequentes na taxa básica de juro dos EUA.
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No que se refere ao comportamento do petróleo, em Nova York, o barril encerrou a semana cotado a US$ 46,52, o que representa uma queda de 2,58% frente à cotação de encerramento da sexta-feira anterior, de US$ 47,42. A queda deveu-se basicamente ao fato de que as eleições no Iraque transcorreram sem a existência de maiores problemas.
Dólar e juros futuros caíram na semana
O dólar comercial encerrou a semana em queda de 1,21%, cotado a R$ 2,6130 no fechamento de sexta-feira, quando acabou subindo 0,38%. Vale destacar que a moeda norte-americana chegou a operar na semana abaixo do nível de R$ 2,60, em seu patamar mais baixo desde 2002.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 18,78% na sexta-feira, frente a uma taxa de 18,93% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 18,59%, configurando uma alta frente à taxa registrada na semana anterior, de 18,44%.
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O Ibovespa, por sua vez, fechou a semana em forte alta, com a reiteração das perspectivas de que a taxa básica de juro dos EUA deve continuar subindo em “ritmo moderado”. Dessa maneira, o índice Bovespa, após fechar a sexta-feira com a maior valorização desde maio de 2004, acumulou alta de 7,36% na semana, encerrando a 25.732 pontos.
Próxima semana: produção industrial e dados dos EUA
Na próxima semana, em função do feriado do carnaval, haverá a divulgação de poucos indicadores de maior relevância no Brasil. A balança comercial e o relatório Focus serão divulgados somente na quarta-feira de cinzas. O grande destaque, entretanto, deve ficar por conta dos dados da produção industrial, que serão divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
No cenário externo, o destaque deverá ficar com os dados da balança comercial e do orçamento norte-americanos. Diante da forte preocupação com relação ao rumo dos déficits gêmeos (em conta corrente e orçamentário) dos EUA, os dados divulgados serão analisados com muita atenção tanto no cenário doméstico quanto no cenário internacional.