Publicidade
SÃO PAULO – No último dia 2 de fevereiro o Banco Central anunciou que passaria a realizar leilões de swaps cambiais, notícia que teve forte impacto no mercado de câmbio. Mas o que são esses leilões de swap? Por que esses leilões têm impacto no mercado de câmbio? Qual é a estratégia do Banco Central ao realizar esses leilões?
A palavra swap pode ser traduzida do inglês literalmente como “troca”. Mas o que seria esse leilão de “troca”? Suponha que um investidor tenha um título de dívida do Governo atrelado a uma determinada taxa de juro. Imagine também que esse investidor tem medo de que o dólar suba. Ele pode buscar proteção no mercado de câmbio, comprando dólares.
Existe outra alternativa além do mercado à vista
Mas existe uma outra opção. O Banco Central pode fazer um leilão no qual realiza-se uma troca da posição desse título. Ao invés do investidor receber o juro do Banco Central, o investidor pode pagar ao Banco Central uma remuneração baseada na variação da taxa de juro à qual o título é atrelado e receber do Banco Central uma remuneração baseada na variação do dólar.
Esse leilão é o chamado leilão de swap. Com isso, ao invés de comprar dólares no mercado, o investidor pode buscar essa proteção (hedge) através do swap. Assim, imagine que o juro suba e o dólar caia. A variação da taxa de juro incide sobre o valor do título e gerará uma quantia que deverá ser paga pelo investidor ao Banco Central. Por outro lado, haverá o pagamento, pelo Banco Central, da variação do dólar.
O leilão de swap pode também ser realizado de forma inversa à descrita acima, ou seja, o investidor possui um título atrelado ao dólar e acredita que o dólar vai cair, ele poderia fazer um swap de modo a receber a variação do juro e pagar a variação no dólar.
Isso não quer dizer que este tipo de alternativa esteja sempre disponível. O Banco Central não oferece leilões de swap a todo o tempo, mas sim de acordo com a demanda do mercado por hedge.
Continua depois da publicidade
Qual a estratégia do Banco Central?
Os leilões de swap realizados desta vez são inversos em relação aos realizados em 2002, quando, ao prever uma maior demanda do mercado por hedge, o Banco Central passou a realizar leilões em que oferecia o swap, comprometendo-se a pagar variações no câmbio e recebendo variações na taxa de juro.
Desta vez, o Banco Central percebe uma redução da demanda por hedge, o que tem, inclusive, contribuído para a forte queda do dólar frente ao real. Com isso, o Banco Central oferece a possibilidade aos investidores de receberem variações na taxa de juro e pagarem variações no câmbio. Elimina-se, dessa forma, uma alternativa que os investidores possuem para buscar proteção, o que aumenta a demanda por dólares no mercado de câmbio à vista.
Percebe-se, dessa maneira, que o Banco Central pode realizar leilões de swap conforme percebe a demanda por hedge no mercado, o que exerce forte influência no mercado à vista, já que pode reduzir ou ampliar as alternativas à disposição dos investidores que buscam se proteger de eventuais altas da moeda norte-americana. Além disso, a realização dos leilões também permitirá uma redução da parcela da dívida pública atrelada ao câmbio.
Continua depois da publicidade
Entendendo melhor o conceito de swap
Considerando-se os exemplos mencionados, caso o juro apresente variação positiva e o dólar também apresente variação positiva, teremos dois fluxos agindo em sentido contrário e gerando um fluxo resultante que representará o ganho de um dos dois lados e a perda do outro. Pode acontecer também de ambos os fluxos serem favoráveis somente para um dos lados, o que representaria uma variação ainda maior do swap.
Vale mencionar que os swaps também podem ser negociados separadamente. Assim, suponha que um investidor possui um título e adquiriu um swap, porém, esse investidor já não tem as mesmas expectativas com relação ao rumo do câmbio ou do juro, esse investidor pode negociar o seu swap, revertendo novamente sua posição.