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SÃO PAULO – No final do ano passado o primeiro ministro japonês, Junichiro Koizumi, anunciou que o governo pretende reduzir as deduções permitidas do imposto de renda pela metade a partir de janeiro de 2006.
Atualmente, o contribuinte japonês pode abater do seu imposto devido 290 mil ienes por pessoa. A partir de janeiro de 2006, esta dedução deve baixar para 145 mil ienes, e existem planos de que seja cortada após janeiro de 2007. A decisão deve atrair receitas adicionais de 3,3 trilhões de ienes por ano aos cofres do governo japonês.
Consumo responde por 50% do PIB
O governo também estuda a possibilidade de aumentar o imposto sobre vendas, que atualmente está em 5%. Mas, segundo declarações do próprio Koizumi, isso não deve acontecer no seu mandato, que está previsto para terminar em setembro de 2006.
Para a maior parte dos economistas, o corte dos benefícios deve reduzir o poder aquisitivo de boa parte da população, colocando em risco a recuperação do consumo. Considerando que o consumo responde por metade do PIB (Produto Interno Bruto) japonês, as mudanças podem ter um impacto significativo sobre a recuperação da economia japonesa e pode levar a uma prorrogação da deflação.
Déficit crescente preocupa governo
De sua parte, o governo defende o corte das deduções, alegando que essa é a única alternativa para reduzir o déficit público japonês, que até março de 2006 deve crescer para 151% do PIB.
Pressionado por uma crise demográfica, na qual a parcela da população japonesa idosa cresce mais rapidamente do que a jovem, o que aumenta o déficit da Previdência Social, visto que o ritmo de contribuições cai e o de pagamento de benefícios e aposentadorias aumenta, o governo japonês não vê outra alternativa para o endividamento que não o aumento das receitas. O primeiro ministro prevê que o aumento das receitas possibilite zerar a dívida pública japonesa, antes do pagamento de juros, em até dez anos.