Economia japonesa deve se recuperar em 2005

Apesar do fraco resultado divulgado para os meses de outubro-dezembro, analistas acreditam que economia cresça 1,5% em 2005

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SÃO PAULO – Mesmo depois da divulgação, na semana passada, de números bastante desanimadores sobre o crescimento da economia japonesa, boa parte dos analistas econômicos continua apostando em uma recuperação no ano fiscal de 2005.

Na semana passada, o gabinete do governo divulgou que no período outubro-dezembro do ano passado o PIB (produto Interno Bruto) do Japão registrou queda de 0,1% na comparação o mesmo período no ano anterior, o que representa uma queda de 0,5% em uma base anualizada.

Apesar dos riscos, maioria segue otimista

O anúncio levou muitos analistas a reverem para baixo suas projeções de crescimento para a economia japonesa, tanto em 2004, cujo ano fiscal só termina em março, quanto para 2005.

Porém, mesmo assim muitos analistas ainda apostam em uma recuperação da economia na segunda metade de 2005, o que daria condições para que em 2006 a economia conseguisse coibir a deflação e completar o saneamento do seu setor financeiro.

Dentre os fatores preocupantes para a economia japonesa estaria o preço dos combustíveis, um possível fortalecimento do iene e queda da atividade nos EUA, porém, a queda do iene frente ao dólar em 2005 parece sugerir que o volume de exportações pode se recuperar favorecendo o desempenho da economia durante o ano fiscal de 2005. Por outro lado, os economistas acreditam que o grande esforço dos bancos japoneses no sentido de reduzir o nível de créditos duvidosos deva favorecer a recuperação da economia.

Economia deve crescer 1,5% em 2005

Esta é a opinião, por exemplo, do economista chefe do Crédit Suísse First Boston, Yukari Sato. Para ele, o avanço do volume de investimentos das empresas japonesas eventualmente irá se traduzir em um crescimento do consumo, fatores que devem possibilitar uma recuperação da economia ainda neste ano.

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O resultado dos últimos três meses de 2004 foi atribuído à queda do ritmo de exportações, ajustes de estoques por parte das empresas, e uma série de desastres naturais. Dados preliminares para janeiro apontam uma recuperação no nível de exportações japonesas, impulsionadas pelo maior crescimento dos EUA e de vários países asiáticos.

Segundo Sato, a economia japonesa deve crescer 1,5% em termos reais, ou seja, depois de descontada a inflação, durante o ano fiscal de 2005. O resultado deve ficar pouco acima do de 2004, ano em que a economia está prevista para crescer 1,4%. Por sua vez, o Instituto de Pesquisa Mizuho projeta crescimento estável de 1,5% para 2004 e 2005.

Projeções variam entre 0,6% e 2%

Mais otimista, o banco francês BNP Paribas projeta um crescimento de 2% para o ano fiscal de 2005 (1,7% em 2004), enquanto o Instituto de Pesquisa Daiwa demonstra maior pessimismo ao projetar um avanço de apenas 0,6% no mesmo período. O economista chefe do BNP Paribas, Ryutaro Kono, é outro que acredita que o pior já passou e que a recuperação das exportações seja um sinal disso.

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Por sua vez, o economista sênior do Instituto Daiwa de Pesquisa, Junichi Makino, não aposta em uma recuperação antes de 2006. O economista acredita que a retomada do crescimento possa ser dificultada pela maior restrição na concessão de crédito na China e pela incerteza quanto ao crescimento dos EUA.