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SÃO PAULO – Nos últimos dez anos os japoneses têm gastado mais do que poupado. Mesmo considerando que os dados relacionados com a poupança dos japoneses estejam defasados e se refiram ao ano de 2003, os dados do Banco do Japão indicam queda no superávit financeiro das famílias.
Além disso, em alguns meses de 2003, este superávit chegou a ficar negativo, indicando um crescimento mais acentuado das dívidas do que do patrimônio destas famílias. Para alguns analistas os japoneses estariam segundo o exemplo dos americanos, que usam dívidas para arcar com seus gastos de consumo.
Juros baixos e recuperação da renda
Esta situação pode se acentuar ainda mais neste ano, com o consumo sendo impulsionado pela manutenção da política de juros baixos e recuperação da renda por parte do trabalhador japonês.
Depois de cair por cinco anos seguidos, o número de horas trabalhadas, assim como de postos de trabalho, começou a dar sinais de recuperação. Tendência semelhante começa a ser observada nos salários, que iniciam uma recuperação depois de atingir seu nível mais baixo no início de 2004. Juntos, estes fatores devem contribuir para a recuperação do consumo, que responde por metade do PIB (Produto Interno Bruto) do Japão.
Pacote fiscal pode frear consumo
Por sua vez, o anúncio do governo de que pretende reduzir os incentivos fiscais e aumentar a taxa de consumo a partir de 2006, deve trazer aos cofres do Fisco japonês o equivalente a 0,7% do PIB em recursos adicionais.
Segundo o governo japonês, esta é a única forma para reduzir a dívida pública japonesa, que é a maior entre os países desenvolvidos, e se encontra em cerca de 170% do PIB. Porém, acordo entre os principais líderes políticos japoneses determinou que as novas medidas só devem entrar em vigor caso as condições da economia japonesa permitam.
Esta possibilidade não pode ser descartada, sobretudo, depois da divulgação, na semana passada, da queda anualizada de 0,5% do PIB do 4o trimestre de 2004. O anúncio de que as exportações, grande mola propulsora da economia japonesa, cresceram a um ritmo menos intenso em janeiro deste ano, também sugere que a recuperação da economia pode ser adiada.