Comentário da Semana: mercado recebeu a ata do Copom com otimismo

Conteúdo da ata fez o dólar e a bolsa subirem na semana; no cenário externo, o petróleo voltou a disparar

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SÃO PAULO – A última semana completa de fevereiro foi marcada pela divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, quando a taxa Selic foi elevada para 18,75% ao ano, em 0,50 ponto percentual. O clima mais ameno da ata, além de evidências de perspectivas de “ritmo moderado” na condução da política monetária dos EUA foram os principais fatos da semana.

Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana em forte alta, com o Ibovespa encerrando acima do patamar de 28.000 pontos, o mais elevado da história. Com a ata considerada mais “amigável” pelo mercado, os juros futuros apresentaram queda e o dólar encerrou a semana em alta.

Cenário doméstico: inflação em evidência

No cenário doméstico, a semana teve início com as expectativas de inflação do mercado apresentando queda, já que a mediana das projeções do mercado contidas no relatório Focus, do Banco Central, para a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), passou de 5,74% para 5,70%. A inflação medida pelos índices de preços divulgados, de uma maneira geral, também apresentou queda.

A exceção foi o IPCA-15, que difere do IPCA somente no que se refere ao período de coleta. O índice apresentou alta de 0,74%, representando uma aceleração em relação ao indicador de janeiro, que havia apresentado variação positiva de 0,68%. A aceleração do índice não chegou a ter um impacto forte no mercado, tanto devido ao forte componente sazonal, já que o item educação respondeu por 0,25 ponto percentual da alta do índice, quanto em função do otimismo gerado na quinta-feira com a ata do Copom.

O conteúdo da ata, apesar da sinalização de novas elevações do juro básico e de seguir manifestando a possibilidade de alterações no ritmo do processo de ajustes em caso de deterioração dos fatores de risco, foi visto como mais ameno. Isto ocorreu porque a autoridade monetária sinalizou que acredita que o juro básico já está próximo do patamar que deve assegurar a convergência da inflação às metas.

Também no final da semana, na sexta-feira, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou a Pesquisa Mensal do Emprego, que revelou uma elevação da taxa de desocupação, passando de 9,6% em dezembro para 10,2% em janeiro. Em função do componente sazonal do nível do emprego, a elevação já era esperada. Além disso, a taxa é menor do que a de janeiro de 2004, quando a desocupação era de 11,7%.

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Cenário externo: petróleo e economia dos EUA

No cenário externo, a minuta da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), o comitê de política monetária norte-americano, aliviou os temores de aceleração no ritmo de elevação da taxa básica de juro dos EUA. Os dados da inflação ao consumidor norte-americano, que ficaram dentro do esperado pelo mercado, contribuíram para a consolidação dessa percepção. Na sexta-feira, foi divulgado o PIB, Produto Interno Bruto, dos EUA, que subiu 3,8% no quarto trimestre em termos anualizados, de acordo com dados preliminares.

Ainda no cenário externo, o grande destaque ficou por conta do comportamento do petróleo no mercado internacional, que subiu forte na semana em função das temperaturas mais frias no Hemisfério Norte, o que impulsiona a demanda por óleo de aquecimento, além de temores de cortes na produção da Opep, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Nem mesmo a elevação dos estoques da commodity nos EUA foi capaz de pressionar a cotação.

No final da semana, o mercado analisou a declaração do ministro Ali Naimi, da Arábia Saudita, que revelou perspectivas de que os preços do petróleo em 2005 permaneçam entre US$ 40,00 e US$ 50,00, previsões maiores que a do mercado. Assim, no mercado de Londres, o barril do tipo brent encerrou cotado a US$ 49,61, o que representa uma forte alta de 7,06% em relação à semana anterior.

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Dólar sobe e juros futuros caem na semana

Após ter chegado perto do patamar de R$ 2,55 na semana anterior, o dólar comercial encerrou a semana em alta de 1,79%, cotado a R$ 2,619 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando a sessão em queda de 0,53%. A moeda refletiu, na semana, o efeito da realização pelo Banco Central dos leilões de swap e o conteúdo da ata do Copom.

No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 18,73% na sexta-feira, frente a uma taxa de 18,85% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 18,84%, queda em relação à taxa de 18,86% da semana anterior.

O Ibovespa, refletindo o otimismo dos investidores, especialmente estrangeiros, com o conteúdo da ata, encerrou em forte alta de 6,24%. Dessa maneira, o índice Bovespa chegou a fechar no patamar mais alto da história na quinta-feira, rompendo a barreira dos 28 mil pontos, fechando a semana a 28.425 pontos.

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Próxima semana: Nonfarm Payrolls

Na próxima semana, o grande destaque no cenário doméstico deverá ser a divulgação, pelo IBGE, dos dados do Produto Interno Bruto brasileiro, referentes ao quarto trimestre de 2004. Além disso, o mercado deve seguir atento aos índices de preços e às expectativas de inflação reveladas pelo relatório Focus.

Para os investidores que acompanham o mercado acionário, destaque para a continuidade da divulgação dos resultados de empresas referentes ao ano de 2004. Destaque para Eletropaulo, CSN, AmBev, Telemig Celular, Telemar e Suzano Petroquímica.

No cenário externo, o destaque deverá ser o Nonfarm Payrolls, indicador do mercado de trabalho dos EUA, que revelará o número de postos de trabalho criados no país fora do setor agropecuário. A expectativa é de forte elevação no número de postos criados, passando de 146 mil em dezembro, para 225 mil em janeiro.