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SÃO PAULO – Muita gente que está interessada em investir em renda fixa, e quer correr menores riscos, acaba escolhendo aplicações cujo retorno seja pós-fixado e que, muitas vezes, segue o desempenho do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).
Porém, isso pode mudar em breve, já que a Andima (Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro) estuda o lançamento, ainda no primeiro semestre desse ano, de uma série de índices de referência para aplicações de renda fixa. Com a introdução dos novos indicadores, a Associação pretende reduzir o foco de curto prazo dessas aplicações.
Considerando que os títulos públicos representam cerca de 90% dos títulos de renda fixa do mercado brasileiro, nada mais natural do que lançar um índice que seja capaz de servir de referência para o retorno desses títulos.
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Nesse contexto, a Andima deve divulgar até abril indicadores formados por papéis ligados à inflação (NTN-C e NTN-B) e à Selic (LFT). No primeiro dia do mesmo mês a Andima também inicia a apuração do Índice de Mercados Andima (IMA), responsável por reproduzir a carteira de papéis públicos no mercado e composto por diversos indicadores.
Substituição
De acordo com a proposta da Andima, que é ratificada também pelo Tesouro Nacional, haverá uma substituição gradual do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que atualmente baliza os fundos da categoria, pelos novos indicadores, considerados mais adequados para carteiras de títulos públicos.
Especialistas do mercado dizem que o CDI era pertinente numa época de investimentos de prazos mais curtos. Depois das mudanças de rentabilidade dos fundos, implementadas pelo governo, e com a maior estabilidade da economia, as aplicações de longo prazo se tornaram mais atraentes, reduzindo a importância do CDI.
Cautela e entusiasmo
Embora os gestores de fundos de renda fixa estejam ansiosos pelos novos índices de referência, o vice-presidente da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimentos), Marcelo Giufrida, acredita que os indicadores que chegam ao mercado devem ser adotados somente se apresentarem retorno mais interessante que o obtido com o CDI.
Outros agentes financeiros são menos cautelosos que Giufrida, e já prevêem a criação de carteiras de investimentos balizadas pelos índices da Andima, da mesma forma que as ações seguem o Ibovespa e o IBrX, da Bolsa de Valores de São Paulo.