Imóveis: sucesso da aplicação depende da escolha do empreendimento

Investir em imóveis pode ser tão difícil quanto aplicar na Bolsa; para fazer um bom negócio é preciso estudar mercado

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SÃO PAULO – Independente da situação da economia e poder aquisitivo do investidor, os imóveis são sempre uma das aplicações preferidas pelos brasileiros. Apesar da pequena rentabilidade e do excesso de oferta no mercado, as aplicações imobiliárias são procuradas em função de sua segurança e solidez. Investir em apartamentos, galpões, flats, ou conjuntos comerciais pode garantir maior tranqüilidade, porém não dispensa certo cuidado na hora de escolher as alternativas corretas.

Mesmo para os adeptos do conservadorismo e da cautela, o sucesso ao se investir no mercado imobiliário irá depender do perfil e da localização do empreendimento. É preciso lembrar que em grandes cidades brasileiras, como São Paulo e Rio, o mercado já está um tanto saturado, fazendo com que a rentabilidade e euforia de antigamente abrissem espaço para altas taxas de vacância, baixo retorno e inadimplência de locatários. Nesse sentido, recomenda-se pesquisar muito bem antes de fechar negócio e ter certeza que ganhar dinheiro no mercado imobiliário pode ser tão difícil quanto investir na Bolsa.

Construtoras garantem rentabilidade temporária

Com a intenção de atrair novos investidores, a Inpar, construtora que atua, sobretudo no mercado de flats, promete rentabilidade até o final de 2004 para quem aplicar em três novos empreendimentos hoteleiros em São Paulo. Independente do prazo de entrega, a empresa se compromete a pagar uma taxa líquida de 1% ao mês para os investidores que decidirem colocar seu dinheiro em flats localizados na Faria Lima, Paulista e Campo Belo. Trata-se do Renda Imediata Inpar, que garante rentabilidade a partir do mês seguinte do investimento até a liberação do “Habite-se” da obra.

Segundo o departamento de vendas da empresa, as unidades custam a partir de R$ 65 mil e já vêm decoradas e totalmente equipadas. Além dos três empreendimentos, a empresa ainda oferece o Formule 1 Jardins, hotel de categoria supereconômica que está sendo erguido na Av. Nove de Julho. Esse novo perfil hoteleiro é o que mais cresce em São Paulo, buscando conquistar hóspedes que não dispõem de muito dinheiro para sua estadia na cidade, porém não abrem mão de certo conforto e proximidade dos serviços.

Investidores abraçam fundos imobiliários

Bastante populares nos EUA e na Europa, os fundos imobiliários chegaram ao Brasil há pouco tempo e parece que apenas agora é que o pequeno investidor começou a entender e aceitar melhor essa alternativa de investimento. E é exatamente esse perfil de investidores que obtêm as maiores vantagens com os fundos imobiliários, que funcionam como outro fundo de investimento qualquer. Ao comprar cotas, o investidor aplica seu dinheiro e se torna sócio de galpões, hotéis, conjuntos comerciais e até de hospitais e shopping-centers.

Mais uma vez, o que atrai o mercado para essa categoria de fundos não é a rentabilidade, mas sim a segurança de estar investindo em algo concreto. Nessa época de instabilidade do mercado financeiro, quem aplicou nesses fundos não reclama. Pelo menos é o que afirma Sérgio Belleza, consultor de investimentos especializado nesse mercado. “Quem comprou cotas do Pátio Higienópolis está rindo sozinho”, garante Belleza, sócio da Coinvalores, corretora que vende as cotas dos fundos. “O papel foi lançado a R$ 100 e sempre vinha sendo negociado um pouco acima desse valor. Hoje vale R$ 110, mas não existem vendedores”.

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Com relação aos outros fundos, o momento nunca foi tão propício. Para o Hospital da Criança, cujos papéis também foram lançados a R$ 100, não existem mais lotes a venda no mercado. “Ninguém quer vender”, explica o consultor. “Os investidores estão muito contentes”. Já os lotes do Europar, fundo que aplica em galpões de logística, apresentaram um forte aumento em seu volume de vendas.

Atualmente, cerca de R$ 350 milhões em lotes estão em fase de aprovação na CVM, Comissão de Valores Mobiliários, órgão do governo que regulamenta o mercado. Se tudo der certo, o Brasil terá mais de R$ 2 bilhões em emissão de fundos imobiliários até o final desse ano. O mercado desses fundos melhorou muito, e para Belleza, agora só falta entrar os bancos nessa jogada.