Merrill Lynch apresenta estudo sobre a sazonalidade do câmbio brasileiro

Estudo mostra que, ao longo dos anos, o real sofre apreciação até abril, passando a se depreciar até novembro

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SÃO PAULO – Segundo o banco de investimentos Merrill Lynch, as moedas brasileira e mexicana vêm mostrando uma tendência persistente de apreciação nos primeiros meses do ano e de depreciação a partir do início do segundo semestre do ano, depreciação esta que atinge seu ápice no mês de outubro.

Os analistas entendem que o comportamento sazonal dessas moedas se deve a fatores fundamentais, o que torna o padrão mais confiável e digno de um estudo mais detalhado.

Sazonalidade do peso mexicano

Para os analistas da Merrill Lynch, a experiência de mercado, juntamente com testes de significância estatística, sugere que o peso mexicano mostra um dos comportamentos sazonais mais padronizados entre as moedas dos países emergentes.

Em geral, a apreciação do peso tende a ser forte na primeira metade do ano, atingindo o ponto mais alto em abril. Este nível de apreciação se mantém relativamente estável no meio do ano. Contudo, entre os meses de setembro e outubro, a moeda mexicana sofre uma forte depreciação, voltando a registrar uma pequena apreciação nos dois últimos meses do ano.

Depreciação de setembro

Segundo os analistas, a depreciação do peso mexicano de setembro é um dos eventos mais conhecidos do mercado. Com o final do verão naquele país, ocorre uma reversão no fluxo positivo de dólares, além do ajuste de tarifas e dos preços administrados. Além disso, observa-se uma intensificação de compras de itens importados, por conta da aproximação do Natal.

Ainda de acordo com o banco norte-americano, as remessas para o exterior, que atingem seu pico em maio, decrescendo consideravelmente ao longo do verão e voltando a crescer fortemente em dezembro, constituem outro importante fator de manutenção deste padrão de sazonalidade.

Brasil: efeitos da agricultura e da dívida

De acordo com os analistas, a sazonalidade do comportamento do real ao longo do ano é bastante notória, muito embora seja bem menos pronunciada do que a do peso mexicano.

Os dados mostram que a moeda brasileira sofre apreciação nos primeiros quatro meses do ano, atingindo sua cotação máxima em abril. Logo depois, mais precisamente entre junho e novembro, o real é progressivamente depreciado, voltando a sofrer apreciação em dezembro.

Os analistas do banco destacam dois aspectos que podem explicar este comportamento: a exportação da safra agrícola, que em geral se inicia no segundo trimestre do ano, e o pagamento dos juros e amortizações da dívida externa, tanto do governo quanto do setor privado, que em geral se intensifica ao longo do ano.