Fipe projeta alta de 0,45% para o IPC em abril

Neste mês, além do impacto residual do aumento nos preços das passagens de ônibus, haverá a contribuição do reajuste dos medicamentos

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SÃO PAULO – De acordo com o coordenador da Fipe, Paulo Picchetti, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), índice que mede a inflação na região metropolitana da grande São Paulo, deverá subir 0,45% em abril. A projeção foi divulgada na manhã desta terça-feira, durante a coletiva de divulgação do resultado de março, quando o índice apresentou alta de 0,79%.

Neste mês, a maior parte da alta do IPC deveu-se ao aumento, em 17,64%, do preço das passagens de ônibus municipais, concedido no início do mês. Juntamente com o aumento nos preços das lotações, esse item representou 73,4% da alta do índice, ou 0,58 ponto percentual.

Contudo, o resultado ficou acima das últimas projeções da própria Fipe, que indicavam uma alta de 0,7% no mês. De acordo com Picchetti, o erro deveu-se a uma subestimação de uma elevação rápida e significativa do grupo alimentação, que na terceira quadrissemana registrou deflação de 0,06%, mas que no fechamento do mês subiu 0,29%.
No grupo, a maior surpresa ficou para o item industrializados, que vinha apresentando quedas desde fevereiro, e ficou estável na última semana, mas encerrou o mês em alta de 0,23%.

Projeção para o ano não é alterada

Apesar da magnitude do aumento, Picchetti não vê motivos para preocupações. Descontados os efeitos do aumento das passagens de ônibus, o índice subiu 0,13% no mês, o que, na sua opinião, é algo “incrivelmente baixo”. A projeção de alta entre 5,0% e 5,5% para o índice em 2005 foi mantida.
Para ele, o comportamento da inflação em 2005 vai ser bastante diferente do que vinha ocorrendo nos anos anteriores, caracterizados por primeiros semestres de inflação baixa e segundos semestres de forte pressão inflacionária, basicamente por conta dos reajustes das tarifas públicas.
Neste ano, o que se desenrola é um primeiro semestre ruim, e que pode piorar ainda mais, por conta de um choque de oferta no setor agrícola, enquanto o segundo semestre deve ser muito melhor, já que os IGP’s (Índices Gerais de Preços), utilizados como indexadores das tarifas públicas, devem subir menos do que vinham subindo nos anos anteriores.
Quanto aos reajustes nos produtos agrícolas, Picchetti lembra que se trata de eventos sazonais, e que, passado o choque de oferta, a tendência é de significativa queda dos preços, “de modo que os reajustes acabem sendo devolvidos ainda no primeiro semestre”, completou.

Ônibus e medicamentos devem impactar o índice em abril

Apesar de ter sido concedido no começo do mês de março, o reajuste das passagens dos ônibus municipais e lotações de São Paulo ainda deverá impactar fortemente o IPC de abril, contribuindo com 0,09 ponto percentual da alta prevista para o mês.
Contudo, a maior contribuição isolada deve vir do reajuste dos medicamentos, aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e que deve entrar em vigor ainda neste mês. Apesar de não poder estimar com precisão o impacto desse reajuste sobre o índice, já que a agência ainda não definiu o percentual de aumento de cada um dos medicamentos, a Fipe estima que este reajuste deve contribuir com 0,14 ponto percentual para a alta do índice em abril.