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SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 19,5% ao ano, na noite desta quarta-feira, contrariando a expectativa do mercado, que, de acordo com a mediana das projeções do relatório Focus do Banco Central, esperava a manutenção da taxa. Esta foi a oitava elevação consecutiva do juro básico brasileiro.
O colegiado do Banco Central optou pela manutenção do aperto monetário, basicamente em função da aceleração da inflação, verificada pela divulgação dos últimos índices de preços, e de pressões provenientes do cenário internacional.
Analistas já esperavam a manutenção
A mediana das projeções do boletim Focus já admitia que a taxa Selic fosse mantida neste patamar, pois os analistas acreditavam que a política monetária já havia surtido o efeito desejado na atividade econômica. Claro exemplo disso é a desaceleração no ritmo de crescimento apurada pelos últimos dados da indústria e comércio.
Além disso, as pressões sobre os últimos índices de preços foram provenientes de segmentos como transportes e energia, áreas sobre as quais a alta dos juros não surte efeito.
Corroborando ainda com esta perspectiva, a recente apreciação do real frente ao dólar colabora para a manutenção da inflação em patamares mais comedidos. Em abril, a moeda norte-americana já acumula forte desvalorização de 4,05% frente ao real, dada a cotação de R$ 2,56 do fechamento desta quarta-feira.
Apostas na elevação
Por outro lado, parte do mercado acreditava na oitava elevação consecutiva da Selic, motivados pela aceleração inflação, apurada pelos últimos referenciais dos índices de preços. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), referente ao mês de março, registrou inflação de 0,61%, levemente acima da variação de 0,59% de fevereiro.
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Com o resultado, o índice acumulou alta de 1,79% ao longo de 2005. O indicador é de extrema relevância, uma vez que é utilizado pelo Banco Central em seu sistema de metas de inflação.
Outro aspecto que vale ser observado é que a mediana das projeções do mercado para a variação do IPCA anual subiu de 6,04% para 6,10%, de acordo com o relatório Focus divulgado na última segunda-feira.
Além disso, as projeções de uma nova alta de 0,25 ponto percentual no juro se baseavam nas pressões de custos, provenientes do alto preço do petróleo e das commodities em geral.