Faturamento do comércio brasileiro cresce 9,7% em 2004, diz Serasa

No mesmo período, a indústria se destacou com lucro de 11,4% das receitas; já o ramo de serviços foi o que mais investiu no ano

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SÃO PAULO – O bom momento vivido pela economia brasileira há quase dois anos começa a se refletir nos demonstrativos financeiros das empresas nacionais, que em 2004 viram suas receitas, rentabilidades e investimentos crescerem de forma inédita em muito tempo. Esta é a conclusão de um estudo da Serasa, que analisou 1,5 mil companhias de diversas atividades.

Segundo a pesquisa, o comércio apresentou a maior expansão de faturamento no ano passado, ao registrar aumento de 9,7% na comparação com 2003. Este desempenho satisfatório foi estimulado pelos estabelecimentos que comercializam bebidas e alimentos, que se beneficiaram pela melhora do nível de emprego no País. O comércio de veículos, impulsionado pelo maior acesso ao crédito, também contribuiu para o resultado da categoria.

O incremento das receitas, contudo, não se reproduziu na rentabilidade do segmento, já que o salário do consumidor ainda reprimido não permitiu elevação de preços. Em 2004, os ganhos obtidos pelo comércio permaneceram estáveis em relação a 2003. Talvez por isso os investimentos da área em ativos fixos (máquinas, equipamentos, novas tecnologias e automação) tenham caído 1% no período.

Faturamento maior aumenta lucro da indústria

A indústria brasileira também protagonizou expansão considerável em seu faturamento, ampliando-o em 9% sobre o ano anterior. Nesta categoria, ao contrário do comércio, as receitas maiores provocaram evolução de rentabilidade, que cresceu 58% entre 2002 e 2004. De acordo com a Serasa, a indústria lucrou 11,4% de suas receitas no ano passado, a maior proporção observada pelo estudo.

Capitalizada por ganhos maiores, a categoria não poupou recursos na hora de investir nos chamados ativos fixos. Em 2004, estes investimentos aumentaram expressivos 93% na comparação com o ano anterior, atingindo 5,5% do faturamento do setor.

Embora considerável, esta taxa de investimento da indústria não foi a maior apurada pela Serasa em 2004. Este posto coube ao setor de serviços. No ano passado, o segmento investiu pesado em tecnologia, principalmente no ramo de telefonia celular, que implantou as redes GSM no período. Em conseqüência deste aportes, os investimentos da área de serviços equivaleram a 8,5% de suas receitas.

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Os gastos em tecnologia e inovação parecem ter surtido efeito, já que a lucratividade do segmento passou de 3,7% do faturamento, em 2002, para consideráveis 10,6% em 2004. Já as receitas totais do setor de serviços expandiram 4,7% na comparação com o ano anterior.