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SÃO PAULO – Em relatório divulgado na última quinta-feira, a Emerging Portfolio Fund Research, uma das principais empresas especializadas no acompanhamento do mercado de investimentos em mercados emergentes, confirmou a tendência de aumento da demanda pelos títulos de países emergentes a partir do início de agosto de 2004.
De uma maneira geral, a maior demanda pelos títulos das economias emergentes pela quarta semana seguida pode ser creditada à percepção dos investidores internacionais de que o Federal Reserve, o banco central norte-americano, deve adotar uma política gradualista de aumento dos juros.
O mercado chegou a temer por uma brusca elevação da taxa básica de juros da maior economia mundial, o que pressionaria uma realocação dos portfólios dos grandes investidores internacionais.
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Fluxo positivo em 2004
Com cerca de US$ 16,47 bilhões em ativos administrados, os fundos que investem exclusivamente em papéis de renda fixa de países emergentes registram um fluxo positivo de US$ 428 milhões desde o início do ano. Vale lembrar que este número somente não é maior em função das fortes saídas de recursos entre 7 de abril e 4 de agosto, que totalizaram US$ 1,22 bilhão.
Neste sentido, fica evidente que a política monetária norte-americana segue como a principal condutora das decisões dos agentes econômicos. Com a recuperação econômica dos Estados Unidos e política gradualista do Fed, os investidores buscam os maiores rendimentos nos títulos dos mercados emergentes.
Brasil e Venezuela ampliaram participação
O relatório também aponta que as boas perspectivas de economias específicas impulsionaram a entrada de recursos nas últimas semanas: a recuperação econômica brasileira, a renovação do acordo com o FMI pela Turquia, a alta do petróleo favorecendo a Venezuela e a vitória da oposição na eleições nas Filipinas.
Deste modo, o peso dos papéis da Venezuela no total investido aumentou de 3,6% em agosto do ano passado para 6,1% este ano, enquanto os papéis brasileiros aumentaram a participação de 16,8% em julho para 18,1% em agosto.
Por outro lado, a participação dos papéis russos no portfólio dos investidores despencou de 17,2% no início do ano para 13,9% em agosto, pressionado principalmente pela variável risco diante o processo falimentar da Yukos. Contudo, o relatório reitera que os fundamentos da economia russa seguem favoráveis.