Comentário Semanal – Perspectiva de aumento da Selic marca a semana

Aceleração da inflação apontada pelo IGP-DI aumentou a perspectiva de aumento da Selic neste mês

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SÃO PAULO – Em uma semana curta, marcada pelo feriado de independência do Brasil e pelo Labor Day nos Estados Unidos, os investidores seguiram com as atenções voltadas para os índices conjunturais internos, com a aceleração do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) e IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), e externos, o PPI (Producer Price Index).

Deste modo, os investidores encerram a semana com a percepção de tendência de alta da Selic na próxima semana na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Neste sentido, o Ibovespa e o dólar acumularam perdas no período, enquanto os juros futuros registraram em alta.

IPCA e IGP-DI: expectativa de alta da Selic

De uma maneira geral, o grande destaque desta semana no mercado foi o anúncio do IPCA e IGP-DI, que indicaram uma aceleração do processo inflacionário interno. Nesta quinta-feira, o IGP-DI, calculado pela Fundação Getúlio Vargas, avançou 1,31% em agosto, bem acima das expectativas apontadas no relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, no qual os analistas apostavam em uma alta de 0,92% em agosto.

Já o IPCA apontou avanço de 0,69% em igual período. Dessa maneira, nos oito primeiros meses deste ano, o IPCA já subiu 5,14%, patamar muito próximo da meta de inflação para 2004, de 5,5%. Além da aceleração da inflação, o comportamento do preço do petróleo voltou a preocupar, com os estoques norte-americanos da commodity recuando acima do esperado.

Tendo isto em vista, uma possível continuidade do avanço da inflação pode levar o Copom a elevar a taxa Selic. Neste sentido, é importante destacar que esta preocupação já havia sido ressaltada na ata da última reunião do Copom, onde a autoridade monetária deixou clara sua postura cautelosa com os efeitos do aquecimento da economia e do preço do petróleo sobre a inflação.

É interessante notar, ainda, que nem mesmo a elevação do rating soberano do Brasil em moeda estrangeira em um degrau, de “B2” para “B1”, com perspectiva “estável” pela agência de classificação de risco Moody´s, animou os investidores, já que a decisão era esperada pelo mercado.

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Indicadores dos EUA reforçam gradualismo do Fed

Com relação ao mercado internacional, a semana foi marcada pela divulgação dos indicadores referentes à economia dos Estados Unidos. De uma maneira geral, todos estes indicadores revelaram que a maior economia do mundo segue crescendo em um ritmo menor que o esperado com anúncio do PPI (Producer Price Index), Consumer Credit, Beige Book e Initial Claims.

O destaque ficou para a divulgação do Producer Price Index nesta sexta-feira, índice de preços pagos a fábricas, agricultores e produtores em geral, que equivale no Brasil aos preços no atacado, referente a agosto. O indicador divulgado pelo Departamento de Trabalho norte-americano registrou deflação de 0,1%, frente às expectativas do mercado de inflação de 0,2%.

Por outro lado, Initial Jobless Claims, que mede o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos referente à semana terminada em 4 de setembro, apontou 319 mil pedidos, abaixo da estimativa dos analistas de 345 mil solicitações. Todavia, há sinais claros de que a maior economia do mundo cresce a passos mais lentos, ampliando-se as apostas de que o Federal Reserve dê continuidade ao gradualismo na condução da política monetária do país.

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Dólar e juros futuros: tendências inversas

Apesar da perspectiva de alta da Selic na reunião da próxima semana do Copom, o anúncio da captação de 750 milhões de euros em bônus de oito anos, com yield de 8,7% ao ano e cupom de 8,50% ao ano, pressionou a cotação da moeda norte-americana durante a semana.

Outro fator que contribuiu para a queda da cotação é o rumor do inicio da captação de US$ 500 milhões pela Petrobras, que foi finalizada provavelmente nesta sexta-feira. Deste modo, a moeda norte-americana deu continuidade à trajetória declinante apresentada há duas semanas, acumulando queda de 0,92%, cotada a R$ 2,900

No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 16,85% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 16,70% no início da semana. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,17%, configurando alta frente à taxa registrada na semana anterior.

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O Ibovespa, por sua vez, acumulou queda durante a semana, diante perspectiva de alta da taxa básica de juro na próxima semana. Os papéis do setor metalúrgico caíram forte, pressionando as perdas do Ibovespa. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou queda de 1,99% na semana, atingindo 21.968 pontos.

Reunião da Copom é o principal foco na próxima semana

A terceira semana de setembro, que se inicia no próximo dia 13, será marcada pelas expectativas com relação à reunião do Copom, que inicia nesta próxima terça-feira.

Nos Estados Unidos, a semana começará com expectativas com a divulgação do Retail Sales, na terça-feira. Durante a semana, na quinta-feira o CPI (Consumer Price Index) deve monopolizar as atenções, pois deve ser decisivo na tendência de gradualismo pelo Federal Reserve. Outros índices que serão anunciados na próxima semana: Business Inventories, Industrial Production, Capacity Utilization, Initial Claims e Philadelphia Fed Index.