Mercado aposta que Copom deve elevar a Selic em 25 pontos base neste mês

Ainda assim, analistas apostam que não haverá efeitos negativos sobre o crescimento da economia brasileira em 2004

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SÃO PAULO – A reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que se encerrará nesta quarta-feira, dia 15 de setembro, vai decidir a taxa Selic para o próximo período. No mercado, as apostas quanto à decisão são bastante divergentes: embora todos concordem que a taxa deve subir até o final do ano, há discordâncias quanto à data do aumento e quanto a sua magnitude.

De qualquer forma, esta é primeira vez desde fevereiro de 2003 em que o mercado espera um aumento da Selic. Os argumentos que podem embasar a decisão do Copom em relação a uma maior rigidez se resumem, basicamente, à evolução do preço do petróleo no mercado internacional, e seus possíveis reflexos na inflação doméstica, e também à maior atividade econômica local.

Projeções dos analistas são divergentes

Segundo o relatório Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira, o mercado espera que a taxa se mantenha em 16% ao ano em setembro, embora a projeção é de que a taxa feche 2004 em 16,5% ao ano. Ou seja, na visão das quase cem instituições consultadas pelo BC a perspectiva é de que entre outubro e dezembro o juro básico suba 50 pontos base.

Outra corrente, que inclui o banco de investimentos Merrill Lynch, aposta que o Copom elevará a taxa em 25 pontos base, para 16,25% ao ano. De acordo com a Merrill Lynch, as tentativas de conter o processo de aceleração inflacionário através da sinalização de alta da taxa básica falharam e agora o governo seria impelido a elevar a taxa para preservar sua credibilidade. No mesmo relatório o banco adverte que um aumento de 50 pontos base acarretaria num rigor desnecessário da política econômica.

Uma terceira corrente minoritária dos analistas acredita que o Copom elevará a Selic em 50 pontos base já em setembro para conter o avanço da inflação. Apesar de esta projeção ser defendida por poucos analistas, ela desperta uma questão interessante: que o juro vai subir 50 pontos base até o final do ano, isto é consensual, mas o que seria melhor – uma elevação em duas parcelas de 25 pontos base ou um aumento brusco de 50 pontos base?

Embora a variação resultante seja a mesma, os efeitos de uma elevação gradual e de um aumento brusco são diferentes sobre as expectativas do mercado. Sem nos prolongarmos muito neste ponto, o que muitos analistas têm chamado a atenção é de que uma elevação gradual pode ter um efeito desfavorável sobre as expectativas dos investidores, pois poderia ser entendida como uma tendência.

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Cenário aponta elevação da Selic

Em sua última reunião, que ocorreu entre os dias 17 e 18 de agosto, o Copom, apesar de manter a Selic am 16% ao ano, sinalizou para um possível aumento na taxa básica de juro, mostrando preocupação quanto à disparada do preço do petróleo no mercado internacional e a decorrente aceleração do processo inflacionário brasileiro.

De lá para cá, as preocupações do Banco Central não diminuíram, uma vez que a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) projetado para 2004, no relatório Focus, subiu de 7,16% (à época da última reunião do Copom) para 7,37%. Além disso, o preço do petróleo continua acumulando altas no mercado internacional e um futuro de preços mais baixos e menor volatilidade parece distante, de acordo com relatório do Banco Brascan.

Dessa maneira, o cenário projetado na última reunião do Copom, segundo o qual seria necessário uma elevação da taxa básica de juro, parece ter se concretizado, o que faz os analistas apostarem que o Copom cumprirá suas ameaças contidas na ata da última reunião.

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Projeções sobre o crescimento econômico

Os efeitos de uma elevação da taxa Selic sobre o crescimento da economia não deve acarretar prejuízos ao processo de crescimento sustentado da economia brasileira, diz o Copom.

Finalmente, o Banco Brascan e o banco de investimentos Merril Lynch compartilham a opinião de que uma elevação da Selic em 25 pontos base não comprometeria o crescimento, uma vez que o hiato entre o PIB (Produto Interno Bruto) potencial e o PIB efetivo é cada vez menor, e ainda serviria para conter o otimismo exacerbado dos agentes econômicos.