Conforme esperado, Fed eleva juro dos EUA em 25 pontos base, para 1,75% a.a.

Decisão foi motivada pelo aumento da pressão inflacionária e indicadores apontando fraca expansão da economia dos EUA

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SÃO PAULO – Nesta terça-feira, o Fomc, comitê de política monetária do Federal Reserve, banco central norte-americano, aumentou a taxa básica de juro da economia do país para 1,75% ao ano, correspondendo, assim, a um aumento de 25 pontos base.

A decisão foi anunciada mais de um mês após a última reunião do comitê, em 10 de agosto. Naquela ocasião, o Federal Reserve elevou a taxa em 0,25 ponto percentual, passando dos 1,25% ao ano para os 1,50% ao ano.

Greenspan disse que os EUA crescem, apesar do petróleo

No dia 8 de setembro, o presidente do banco central norte-americano, Alan Greenspan, havia declarado no Congresso dos EUA que a recuperação econômica ganhou força, mesmo pressionada pelo aumento do preço do petróleo nos mercados internacionais.

A instabilidade no abastecimento da commodity tem elevado os preços, de tal forma que no período analisado, de agosto a setembro, quando a taxa de juro de 1,50% ao ano vigorou, o barril chegou a atingir o patamar de US$ 49,00 nos mercados internacionais, recuando para a atual faixa dos US$ 46,00.

Indicadores econômicos revelaram fraco crescimento

Nesse período, os indicadores econômicos setoriais revelaram números pouco animadores, sinalizando lenta expansão da economia dos Estados Unidos.

A inflação ao consumidor de agosto, medida pelo CPI (Consumer Price Index), subiu menos que o projetado pelos analistas. No atacado, o índice de preços registrou deflação no mês em questão.

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Outro importante indicador do período, o GDP, equivalente ao PIB brasileiro, cresceu menos no segundo trimestre do que no primeiro.

Outros indicadores também decepcionaram

Tomando como base o mês de agosto, o número de postos de trabalho criados (nonfarm payrolls) e o Retail Sales, vendas ao mercado varejista norte-americano, também ficaram abaixo do esperado. O índice setorial de atividade industrial, o Industrial Production, também não conseguiu superar as expectativas.

Diante destes fracos indicadores, o Fed se viu obrigado a manter o gradualismo na condução da política monetária norte-americana, de modo a evitar uma inibição do crescimento da maior economia mundial. O que muitas pessoas podem se perguntar, então, é por que o Fed não manteve o juro, em vista da fraca atividade econômica dos EUA.

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Acontece que a trajetória do preço do petróleo ainda traz preocupações à autoridade monetária acerca de possíveis pressões inflacionárias. De acordo com o presidente executivo da British Petroleum, John Browne, a era do petróleo barato está chegando ao fim. O aumento da tensão no Oriente Médio (maior região produtora) e o crescimento do consumo está ampliando a demanda por refinarias, oleodutos e reservas do produto.

Nesse cenário, a postura de gradualismo na condução da política monetária norte-americana ganha peso. Para não comprometer ainda mais o crescimento norte-americano, uma medida considerada prudente é o aumento gradual da taxa de juro pelo Federal Reserve.