Comentário da semana: desaceleração da inflação e EUA foram os destaques

Mercado brasileiro como um todo apresentou um bom desempenho na semana: dólar e juros futuros caíram, enquanto bolsa subiu

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SÃO PAULO – Na última semana de setembro, as atenções do mercado ficaram divididas entre boas notícias no cenário doméstico e dados que causaram cautela no cenário internacional. No Brasil, a desaceleração do processo inflacionário e a elevação do rating soberano do País pela agência Fitch foram bem recebidas pelos investidores.

Já no panorama internacional, a divulgação de indicadores tímidos sobre a economia dos EUA e as seguidas altas do petróleo trouxeram tensão ao mercado.

Cenário interno: desaceleração da inflação e Fitch

A desaceleração do processo inflacionário interno deu início à onda de boas notícias. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor), anunciado na segunda-feira, e IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), divulgado na quarta-feira, apontaram diminuição do ritmo de aumento dos preços internos.

O IPC da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) registrou inflação de 0,32% na terceira quadrissemana de setembro, frente à alta de 0,56% nos preços apresentada na medição anterior. É importante salientar que a Fipe espera inflação de 0,40% para o mês fechado de setembro.

Já o IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas, registrou inflação de 0,69%, abaixo da alta de 1,22% verificada em agosto. O indicador também apontou uma forte desaceleração do IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor – Mercado), que subiu apenas 0,15%, frente à alta de 0,80% do mês anterior. Os preços no atacado também registraram desaceleração através do IPA-M (Índice de Preços no Atacado – Mercado), alta de 0,90%, frente à inflação de 1,42% registrada em agosto.

Outra excelente notícia para a economia do Brasil foi a elevação do rating soberano brasileiro de longo prazo em moeda nacional e estrangeira de “B+” para “BB-“, pela agência de classificação de risco Fitch. A alteração refletiu a melhora da economia doméstica e do desempenho comercial do Brasil no mercado internacional. A agência elogiou também o compromisso brasileiro com políticas macroeconômicas sólidas.

O anúncio do saldo da balança comercial brasileira de US$ 25,121 bilhões nos nove primeiros meses do ano nesta sexta-feira reforça a boa performance. Vale lembrar, no entanto, que apesar do avanço, o país ainda se encontra em dois estágios no nível de investment grade, isto é, ainda no campo especulativo.

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BC revê para cima projeção de inflação

Apesar da desaceleração da inflação registrada pelos indicadores de preço, o relatório trimestral do Banco Central, divulgado na quinta-feira, revisou para cima a projeção de inflação para 2004 e 2005. Para este ano, a estimativa foi elevada de 6,4% para 7,2%. Para 2005, a projeção foi elevada de 4,4% para 5,6%.

A expectativa de crescimento econômico para o ano de 2004 também foi reavaliada, projetando aumento de 4,5% do PIB. Neste sentido, o mercado interpretou que a ortodoxia do BC continua sendo a tônica, isto é, o movimento de ajuste da Selic, a taxa de juros básica, deve continuar a ser prioridade para o colegiado do Copom.

Panorama externo

No cenário internacional, os dados conjunturais divulgados sobre a economia dos Estados Unidos causaram novas dúvidas sobre o ritmo de crescimento da maior economia do mundo. Existe o temor de que o Federal Reserve abandone o gradualismo na condução da política monetária daquele país. É importante salientar que a alta dos Fed Funds acima do esperado pode prejudicar os ativos brasileiros, de maior risco.

Os dados apontaram para um crescimento de 3,3% do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos referentes ao segundo trimestre deste ano, isto é, acima dos 3,0% estimados pelos investidores anteriormente. Contudo, outros indicadores conjunturais dos EUA podem apontar para a continuidade do gradualismo na condução da política monetária norte-americana, como Personal Income, Personal Spending e Initial Claims, também indicaram crescimento sustentado.

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Petróleo: próximo dos US$ 50 em NY

O preço do petróleo no mercado internacional destacou-se como uma das principais preocupações do mercado no Brasil e no mundo. Ao longo da semana, o valor da commodity disparou e pela primeira vez fechou uma semana cotado acima de US$ 50 o barril.

Apesar do aumento nos estoques norte-americanos, conflitos na Nigéria, importante exportador, e a chegada do inverno no hemisfério norte, fizeram crescer as preocupações com relação à oferta do petróleo.

Assim, em Nova York, a commodity encerrou a semana cotada a US$ 50,12 o barril, o que representa uma forte alta de 0,96 % em relação à semana anterior, quando o barril encerrou cotado a US$ 48,46. A nova cotação representa um recorde histórico, sendo a maior desde o início das negociações na Nymex em 1983.

Dólar e juros futuros caíram

Deste modo, o dólar comercial encerrou a semana em queda de 1,15%, cotado a R$ 2,837, com o mercado mais otimista após a elevação do rating soberano do país pela agência de classificação de riscos Fitch. Além disso, o bom desempenho da balança comercial também contribuiu para o bom desempenho no mercado de câmbio.

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No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência também foi de queda, apesar do Relatório da Inflação. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,09% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,13% na última sexta-feira. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,34%, configurando alta frente à taxa registrada na semana anterior.

O Ibovespa, por sua vez, acumulou ganhos durante a semana, com os investidores avaliando de maneira positiva a melhor percepção do mercado internacional em relação ao Brasil. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou alta de 3,50% na semana, atingindo 23.777 pontos.

Índices de preços serão foco na próxima semana

Na próxima semana, o destaque no cenário externo ficará por conta da divulgação de inúmeros índices de preços. Neste sentido, a Fundação Getúlio Vargas divulgará o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) de setembro, além da 1ª prévia de outubro do IGP-M. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), por sua vez, divulgará o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), ambos referentes a setembro.

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Nos Estados Unidos, serão divulgados importantes indicadores, como o Factory Orders, o ISM Services, o Consumer Credit, o Initial Claims e o mais importante, o Employment Report, ou Relatório do Emprego, trazendo a situação do mercado de trabalho norte-americano.