Entenda melhor a elevação do rating soberano do Brasil no mês de setembro

Três agências elevaram o rating soberano brasileiro no mês passado, mas será que você sabe o que é o rating soberano?

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SÃO PAULO – Com a discussão dos assuntos econômicos atingindo públicos cada vez mais distintos, não é raro que ouçamos uma série de termos desconhecidos do público em geral. Por exemplo, recentemente é possível que você tenha ouvido falar da elevação do rating soberano do Brasil, pela animação do locutor você com certeza percebeu que isso foi bom para o país, mas será que você sabe mesmo o que é o Rating Soberano?

Para nos situarmos, vejamos que somente no mês de setembro, três agências de classificação de risco, a Standard & Poor´s, a Moody´s e a Fitch, elevaram o Rating Soberano brasileiro, a ação animou tanto os investidores nacionais quanto os internacionais que ganharam maior confiança em investir seu dinheiro no país.

Mas afinal, o que é rating?

O rating é um mecanismo de classificação da qualidade de crédito de uma empresa, ou país e tem como objetivo classificar o risco da empresa (ou do país) não ser capaz de cumprir com suas obrigações financeiras.

Essa classificação é feita pelas agências de classificação de risco, que periodicamente, revisam suas opiniões sobre o rating. Nada mais natural, já que a qualidade de crédito (ou risco de inadimplência) pode se alterar drasticamente de um período ao outro.

Para estabelecer um rating, as agências de classificação de risco levam em consideração todos os fatores que possam afetar a qualidade de crédito das obrigações emitidas. No caso de países, o rating é função da condução da política fiscal e monetária, do endividamento interno e externo, da vulnerabilidade com relação ao mercado internacional, assim como o ambiente legal e regulamentar no país.

E o rating soberano?

O termo soberano aparece quando o rating em questão se refere a países, no entanto, ele não foi criado para comparar os países, mas sim para classificar a capacidade relativa do país em pagar suas obrigações financeiras.

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A classificação de risco (ou o rating) aumenta a transparência do mercado como um todo. De um modo geral ajuda aos investidores, principalmente os pequenos, na sua tomada de decisão. Isso porque eles podem escolher entre retornos mais baixos a um risco mínimo, ou vice-versa. Ou seja, são capazes de analisar o retorno ajustado para risco do investimento.

Quais os tipos de classificação?

Em geral, as agências possuem diferentes formas de classificar os países, ou seja, a denominação do rating soberano de um país normalmente varia de uma agência para a outra. Por exemplo, a classificação AAA da S&P e da Fitch é equivalente à classificação AAa da Moody´s.

Nesse sentido, as classificações de risco de AAA/Aaa (S&P e Fitch/Moody´s) até no mínimo BBB-/Baa3, são consideradas como investment grade, enquanto as abaixo são consideradas como speculative grade. Essa divisão é particularmente importante para investidores institucionais, já que por restrições legais e estatutárias eles só podem investir em obrigações de emissores com rating acima de investment grade.
Em geral, esses emissores possuem melhor qualidade de crédito, e menor risco de inadimplência enquanto aqueles com classificação abaixo de investment grade; têm maior risco de não serem capazes de cumprir com as suas obrigações financeiras.

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Além disso, agências como a Moody´s introduziram o conceito de outlook. O outlook reflete como as agências entendem o futuro das empresas e países analisados. Existem três tipos de outlook: Positivo, quando a classificação de risco está em processo de melhora, Neutro, quando a classificação de risco está estável, e Negativo, quando a qualidade do crédito está piorando.

E o que significou para o Brasil a elevação do rating?

Com base em todas essas informações, podemos agora entender melhor o que aconteceu no cenário econômico brasileiro no mês de setembro, o rating soberano do Brasil foi elevado de B2 para B1, na classificação da Moody´s, e de B+ para BB-, na classificação da Fitch e da Standard & Poor´s.
Ainda assim, o Brasil se encontra alguns degraus abaixo do Investment Grade, mais precisamente três na classificação da S&P e da Fitch e quatro na classificação da Moody´s. Ou seja, o país ainda tem que avançar muito na política econômica para ganhar a confiança dos investidores.