Comentário da semana: elevada cotação do petróleo seguiu como destaque

Dessa maneira, mercado brasileiro como um todo teve um fraco desempenho na semana, com dólar e juros futuros subindo

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SÃO PAULO – Com as atenções novamente voltadas para o elevado preço do barril de petróleo no mercado internacional e seus efeitos sobre a economia brasileira, o mercado brasileiro como um todo apresentou um fraco desempenho na semana, de forma que o dólar e os juros futuros acumularam alta, enquanto o Ibovespa caiu no período.

A semana foi marcada pela divulgação dos índices de preços no atacado e das vendas no varejo norte-americano, pelo comportamento dos preços do petróleo no mercado internacional e, no Brasil, pela divulgação dos dados da produção industrial brasileira e da expedição de papelão ondulado.

Apesar de dados do IBGE, há temor de desaceleração

No início da semana, houve a divulgação dos dados da produção industrial brasileira referentes ao mês de agosto, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Os dados revelaram um aumento de 1,1% na comparação com o mês anterior e afastaram, apenas por um breve momento, os temores relacionados a uma eventual desaceleração da economia brasileira.

O crescimento da produção industrial brasileira na comparação com agosto de 2003 foi bastante forte, de 13,8%, e na comparação do acumulado no ano com o acumulado no mesmo período do ano passado, o crescimento revelado é de 8,8%. Entretanto, com a divulgação dos dados da expedição de papelão ondulado, ocorrida na quinta-feira, os temores retornaram.

Expedição de papelão ondulado apresentou nova queda

A expedição de papelão ondulado é considerada um importante indicador do nível de atividade econômica e no mês de setembro apresentou queda de 3,24% em relação ao mês anterior. É a segunda queda mensal consecutiva, já que em agosto as vendas já haviam apresentado queda de 1,58%, mas isso não trouxe maiores preocupações pois o crescimento das vendas no mês de julho havia sido muito forte.

Em relação ao mês de setembro de 2003, houve crescimento de 9,22% na expedição de papelão ondulado e no acumulado do ano houve crescimento de 13,34%, na comparação com o período de janeiro a setembro do ano passado. Os dados foram divulgados pela ABPO (Associação Brasileira do Papelão Ondulado).

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Maior perspectiva de inflação também foi destaque

Ainda no cenário doméstico, o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) apresentou aceleração, passando de uma alta de 0,21% no mês fechado de setembro para 0,27% na primeira quadrissemana de outubro, com os preços do item alimentação, que haviam pressionado o índice de setembro, caindo menos.

Contribuindo para aumentar os temores de maior inflação frente à elevada cotação do petróleo, na quinta-feira, houve o anúncio do reajuste concedido pela Petrobras. O aumento de preços ao consumidor deverá ser de 1,6% no caso da gasolina e de 3,8% no caso do diesel, segundo estimativas divulgadas pela empresa.

Cenário externo foi destaque novamente

O destaque da semana ficou, novamente, por conta do cenário externo. Os estoques de petróleo dos EUA, segundo os dados do Departamento de Energia norte-americano, subiram 1,5%, passando de 274 milhões de barris na semana do dia 1º de outubro para 278,2 milhões de barris na semana passada. Os estoques de gasolina também subiram.

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Entretanto, os estoques de destilados, como óleo para aquecimento e óleo diesel, apresentaram queda, o que motivou novas apostas na alta da cotação do barril. Por outro lado, as perspectivas de desaquecimento na demanda mundial pela commodity exerceram pressão. Assim, o petróleo encerrou a semana em forte alta de 3,04% no mercado de Nova York, com a cotação atingindo US$ 54,93.

Indicador aponta recuperação da economia dos EUA

Também no cenário externo, o mercado analisou os dados do cenário econômico norte-americano, que caso confirmados podem levar o Federal Reserve, o banco central do país, a acelerar o ritmo das elevações na taxa básica de juro dos EUA, os Fed Funds.

Neste sentido, as vendas no varejo subiram 1,5% em setembro, frente à queda de 0,2% apresentada na divulgação anterior e subiram mais do que o esperado pelo mercado, que aguardava crescimento de 0,7%.

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O indicador de preços no varejo, por sua vez, apontou inflação de 0,1%, frente à deflação apresentada na divulgação anterior. O núcleo do indicador, que exclui os itens mais voláteis, apresentou aceleração para 0,3%.

Dólar e juros futuros subiram

Deste modo, o dólar comercial encerrou a semana em forte alta de 1,03%, cotado a R$ 2,8580, com o mercado analisando o comportamento do petróleo e refletindo em parte um movimento de ajuste.

No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência também foi de alta. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,19% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,07% na última sexta-feira. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,47%, configurando uma alta frente à taxa registrada na semana anterior (16,36%).

O Ibovespa, por sua vez, acumulou perdas durante a semana, chegando a operar abaixo dos 23 mil pontos. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou queda de 2,34% na semana, encerrando a 23.368 pontos.

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Reunião do Copom deve ser destaque na próxima semana

Na próxima semana, o destaque deverá ficar por conta da reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, que anunciou após a última elevação o início de um processo de altas graduais na taxa básica de juro brasileira, a Selic, atualmente em 16,25% ao ano.

No cenário externo, além do comportamento da cotação do petróleo, o mercado analisará o índice de preços ao consumidor norte-americano, o CPI, de cujo comportamento dependerão as próximas decisões do Federal Reserve.