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SÃO PAULO – Pela terceira vez seguida, o Comitê de Política Monetária do Banco Central optou por elevar a taxa básica de juro do Brasil. O comportamento da inflação e da economia norte-americana, bem como a evolução do preço do petróleo no mercado internacional, foram levados em consideração pelo colegiado. Desse modo, a Selic passou nessa quarta-feira, dia 18 de novembro, de 16,75% ao ano para 17,25% ao ano, maior patamar verificado em 2004.
O aumento do juro foi em linha com o esperado pelo mercado, em função dos indicadores conjunturais e do cenário externo. Vale lembrar que, no início do ano, os investidores acreditavam que 2004 seria caracterizado por um corte na Selic, mas essas perspectivas foram se alterando, de modo que, para dezembro, o relatório Focus do BC aposta em uma taxa básica de juro de 17,50% ao ano.
Aceleração da inflação doméstica
A principal causa para o aperto monetário foi a aceleração da inflação recente, que preocupa o Banco Central com sua política de estabilidade de preços. Nesse sentido, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) apurou uma inflação de 0,44% em outubro, o que corresponde a uma elevação de 0,11 ponto percentual frente ao mês de setembro, quando o índice subiu 0,33%.
O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe registrou uma elevação de 0,65% na primeira quadrissemana de novembro, levemente acima da alta de 0,62% registrada pelo índice em outubro. Já o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) registrou uma variação positiva nos preços de 0,53% em outubro, 0,05 ponto percentual acima da inflação registrada em setembro, de 0,48%.
Vale citar ainda a cautela com relação a uma maior demanda em dezembro e janeiro, por conta das festividades de final de ano, que pode levar a novas acelerações da inflação, especialmente a partir de janeiro.
Cenário externo: juro dos EUA e petróleo
Mas as decisões do Copom não são tomadas exclusivamente baseadas no cenário interno. Existe uma forte influência, por exemplo, do juro norte-americano na decisão da taxa básica de juro do Brasil. Isso porque a atratividade dos títulos depende de sua remuneração paga e também daquela praticada pelos outros países.
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A economia norte-americana tem registrado bom desempenho e espera-se que o juro básico dos EUA continue subindo, a exemplo do que ocorreu na quarta-feira passada, quando o juro passou para 2% ao ano. Assim, para evitar uma fuga de capitais do Brasil, o país tem que elevar sua taxa de juro.
Vale ressaltar ainda o impacto do comportamento do preço internacional do petróleo na condução da política monetária, tanto norte-americana quanta brasileira. Isso porque a commodity influencia a inflação e o crescimento da economia mundial. Parte da aceleração da inflação é explicada pelo reajuste no preço dos combustíveis recente, e a perspectiva de novos reajustes está atrelada ao preço do barril. Recentemente, entretanto, o petróleo tem registrado queda nos principais mercados, mas ainda não se sabe qual será sua evolução.