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SÃO PAULO – A semana foi marcada pela reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, que elevou a taxa básica de juro da economia brasileira em 0,50 ponto percentual, para 17,25% ao ano. Por outro lado, nos EUA, a inflação apresentou uma forte aceleração e a autoridade monetária daquele país pode vir a elevar a taxa básica de juro norte-americana em um ritmo mais acelerado.
Assim, o mercado brasileiro apresentou um desempenho limitado no período, com o dólar em leve queda, os juros futuros acumulando alta e o Ibovespa, da bolsa paulista, ficando praticamente estável no período, com leve queda.
Aceleração da inflação nos EUA surpreende
No cenário externo, o grande destaque ficou por conta da divulgação dos índices de preços dos Estados Unidos, que revelaram aceleração da inflação tanto no atacado quanto no varejo norte-americano. Na terça-feira, o PPI, Producer Price Index, que mede o comportamento dos preços no atacado, apresentou forte aceleração da alta nos preços, subindo muito acima do esperado pelo mercado.
Em outubro, o índice apontou inflação de 1,7%, frente à alta de 0,1% nos preços apontada pelo indicador de setembro. O mercado aguardava inflação de 0,6%. O índice que mede o comportamento dos preços no varejo também apresentou forte aceleração, superando as expectativas. O CPI, Consumer Price Index, apontou alta nos preços de 0,6%, frente à inflação de 0,2% nos preços apontada pelo indicador de setembro. O mercado aguardava inflação de 0,4%.
Com isso, aumenta a possibilidade de que o Federal Reserve, o banco central norte-americano, através do Fomc, Federal Open Market Committee, acelere o ritmo de elevações dos Fed Funds, a taxa básica de juro norte-americana, atualmente em 2% ao ano. A taxa vinha sendo elevada em 0,25 ponto percentual ao longo do ano, um “ritmo moderado” devido à menor alta nos preços e ao fraco desempenho da economia.
Por outro lado, o petróleo encerrou mais uma semana em alta, interrompendo três semanas seguidas de forte queda na cotação da commodity, que encerrou cotada a US$ 48,44 no mercado de Nova York, o que representa um avanço de 2,37% frente à cotação de encerramento da sexta-feira anterior, de US$ 47,4. Vale destacar que os estoques de petróleo subiram de 291,5 milhões de barris para 292,3 milhões.
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Copom eleva Selic para 17,25% ao ano
No cenário doméstico, a inflação seguiu apresentando aceleração, em função dos recentes reajustes nos preços domésticos de combustíveis, como álcool e gasolina. Dessa maneira, o IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10) de novembro subiu 0,83%, maior alta, portanto, que a apresentada pelo indicador de outubro (+0,23%). A segunda prévia de novembro do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) confirmou a tendência de aceleração, subindo 0,60%, frente à alta de 0,12% apontada na segunda medição de outubro.
A alta do IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), por sua vez, apresentou uma leve aceleração na segunda quadrissemana de novembro em relação à quadrissemana anterior, passando de 0,65% para 0,68%. Vale destacar que a Fipe projeta alta de 0,60% do IPC para o mês fechado de novembro.
O grande destaque da semana no cenário doméstico foi, entretanto, a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, encerrada na noite de quarta-feira, quando o órgão anunciou a decisão de elevar a taxa básica de juro da economia brasileira em 0,50 ponto percentual, passando de 16,75% ao ano para 17,25% ao ano.
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Neste sentido, não houve surpresa, já que apesar de duas variáveis consideradas como potenciais riscos pela autoridade monetária ao comportamento dos preços em 2005, o petróleo e a taxa de câmbio, terem cedido entre a reunião anterior e a última reunião, o referencial externo, ou seja, a taxa básica de juro da economia dos EUA, pode passar a sofrer elevações mais rapidamente, por conta da forte aceleração da inflação norte-americana.
Dólar caiu e juros futuros subiram
Deste modo, o dólar comercial encerrou a semana em forte queda de 0,14%, cotado a R$ 2,7860, após encerrar a semana anterior cotado a R$ 2,79 e segue na menor cotação de encerramento desde 2002. Vale destacar que o mercado segue otimista com relação ao desempenho da balança comercial.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,95% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,78% na última sexta-feira. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 17,36%, configurando uma alta frente à taxa registrada na semana anterior, de 17,21%.
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O Ibovespa, por sua vez, ficou praticamente estável nesta semana, com a decisão do Copom já precificada. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou leve queda de 0,01% na semana, encerrando a 24.034 pontos.
Na próxima semana, mercado analisa ata do Copom
Na próxima semana, o mercado deve aguardar a divulgação da ata da reunião do Copom, que pode conter alguma sinalização sobre o rumo da política monetária, além de revelar quais as preocupações e fatores analisados pelo órgão. A divulgação ocorrerá na manhã de quinta-feira
No cenário externo, o comportamento do petróleo deve seguir em destaque, além da divulgação de um dos indicadores que medem a confiança do consumidor norte-americano, o Michigan Sentiment.