Risco e retorno: compare os fundos de investimento sob nova perspectiva

Índice de Sharpe analisa relação entre rentabilidade e risco, permitindo ao investidor comparar melhor as opções

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SÃO PAULO – Os fundos são uma grande oportunidade de investimento que permitem, especialmente para o pequeno investidor, uma rentabilidade atrativa sem abrir mão de um razoável nível de segurança. O enorme leque de opções disponíveis no mercado, contudo, ao mesmo tempo em que representa uma grande oportunidade, exige do investidor atenção para encontrar o fundo mais adequado para o seu perfil.

Ao escolher, uma das formas mais eficientes de avaliar a atratividade de um fundo é comparar sua rentabilidade e a volatilidade de suas cotas. Um fundo com rentabilidade média, mas com uma pequena volatilidade pode ser melhor negócio do que um fundo com alto retorno e alto risco.

Índice de Sharpe: custo benefício da aplicação

A mensuração da volatilidade de um fundo é feita considerando-se a variação diária do valor da cota durante um determinado período de tempo. Desta forma, pode se projetar qual é expectativa de volatilidade de um fundo de investimento.

Um dos índices mais utilizados pelo mercado é o Índice de Sharpe, ou índice de eficiência que, em linhas gerais, mostra se os riscos assumidos pelo fundo foram bem remunerados. Este índice compara o retorno relativo do fundo contra um ativo de risco livre, levando em conta a volatilidade da carteira de fundos de investimento. Quanto maior o retorno e menor o risco do investimento, melhor será o Índice de Sharpe.

As instituições financeiras estruturam seus fundos de acordo com algumas variáveis determinadas pelo Banco Central ou pela Comissão de Valores Mobiliários. Entre estas regulamentações estão os limites de composição de cada carteira, ou seja, qual papel e em qual quantidade pode ser composta a carteira do fundo.

Estas regras impõem o perfil de aplicação de cada fundo. Entretanto, é na escolha da composição entre risco e rentabilidade desejada pela instituição financeira, dados os limites impostos pela legislação, que é determinada a personalidade do fundo. Portanto, ao investir em um fundo, é importante estudar cuidadosamente as opções, uma vez que alta rentabilidade associada a um alto risco pode ser mau negócio.

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Fundo Petrobrás registra melhor desempenho

Os fundos de investimentos que apresentaram a melhor relação risco-benefício nos doze meses encerrados no último mês de outubro foram os compostos por ações da Petrobrás, cujo índice de Sharpe foi de 21,9. Em outras palavras, para cada 1% de risco adicional assumido por estes fundos, eles ofereceram em média 21,9 % de retorno mensal adicional.

Esta categoria de fundo é caracterizada por ser uma opção justamente para o investidor que prefere uma maior rentabilidade ao retorno da poupança, por exemplo, sem correr grandes riscos.

Já, o segundo lugar ficou com os fundos de previdência referenciados a indicadores que não fossem a oscilação cambial nem a taxa do CDI. As cotas destes fundos obtiveram um índice Sharp de 4,35.

Demais fundos de privatização se destacam

Os demais Fundos de Privatização também foram boa opção, obtendo uma ótima relação risco-benefício, em especial o Fundo de Privatização da CVRD com Recursos Próprios. Esta classe de fundos conseguiu oferecer 3,81% de rentabilidade a mais, para cada 1% a mais de risco assumido. Já o Fundo de Privatização da CVRD, composto por recursos do FGTS, obteve 3,62%, ao passo que o composto por recursos de migração 2,69%.

Confira abaixo o Índice de Sharpe dos melhores fundos nos últimos doze meses. Foi usada como referência para o investimento com risco livre a rentabilidade dos fundos de renda fixa, que, por definição, registraram um índice igual à unidade.


































Fundo de Investimento índice de Sharpe
Fundos de Priv. Petrobras 21,90
Fundos de Priv. Petrobras – Rec Próprios – 15,63
Previdência Referenciado Outros 4,35
Fundos de CVRD – FGTS 3,81
Fundos de Priv. CVRD – Recursos Próprios 3,66
Fundos de Priv. CVRD – Migração 2,69
Renda Fixa Com Alavancagem 1,43
Referenciados Outros 1,07
Ações Outros Com Alavancagem 0,87
Renda Fixa Crédito 0,79

Fonte:Anbid

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Fundo de Previdência Cambial tem pior desempenho

A relação custo benefício mensal mais desfavorável foi obtida pelos Fundos de Previdência Referenciado Câmbio, fundos estes que, para cada unidade adicional de risco, ofereceram um decréscimo na rentabilidade de 17,84%. Esta classe de fundos é caracterizada pela estratégia de replicar o retorno de um índice de referência, no caso a variação cambial.

Fundos referenciados a moedas estrangeiras perdem

Ocupando o segundo e terceiro lugar entre as piores opções de fundos ficaram os fundos referenciados em moeda estrangeira, em especial para os atrelados ao euro, que registraram um índice de Sharpe negativo em 12,45, acompanhados pelos os fundos cuja referência era o dólar norte-americano, cujo índice ficou em 6,84.

A má performance destes fundos referenciados foi decorrente do desempenho fraco do dólar e do euro em relação às demais aplicações. Nos doze meses entre os meses de outubro de 2003 e mesmo mês do ano corrente, o dólar comercial sofreu uma leve queda de 2,03% enquanto o euro apreciou-se em 3,93%, oscilações diminutas quando comparadas aos 10,84% da Renda Fixa e 43,41% do Ibovespa.

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Confira abaixo as dez piores aplicações, segundo o índice de Sharpe:


































Fundo de Investimento índice de Sharpe
Previdência Referenciado Câmbio -17,84
Referenciado Euro – -12,45
Referenciado Dolar -6,84
Ações IBOVESPA Indexado -5,85
Ações Setoriais Telecomunicações -3,46
Investimento no Exterior -2,05
Previdência Balanceados -2,01
Previdência Referenciado DI -1,51
Previdência Multim Sem RV -1,31
Privatização FGTS-CL -1,25

Fonte:Anbid

Pequeno investidor pode fazer bom negócio

A análise da relação rentabilidade risco das principais categorias de fundos de investimento permitem desmistificar a idéia de que bons negócios são exclusividade dos grandes investidores. A ótima colocação dos fundos de investimento originários de recursos do FGTS é um grande sinal da democratização do mercado.

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Com isto, cabe ao pequeno investidor redobrar sua atenção ao mercado, a fim de conseguir aproveitar as boas oportunidades, que, sem dúvida alguma, existem.