Bovespa prevê lançamento de índice de responsabilidade social em 2005

Índice incluirá cerca de 40 ações de empresas socialmente responsáveis, cujo potencial de ganho no longo prazo é alto

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SÃO PAULO – A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) pretende lançar, ainda no primeiro semestre de 2005, o primeiro índice de responsabilidade social brasileiro. As discussões sobre sua criação haviam sido iniciadas no final de 2003.

Batizado de Índice de Sustentabilidade Empresarial, o novo índice deve ser desenvolvido em parceria envolvendo a Bovespa, o IFC (International Finance Corporation) e a FGV (Fundação Getúlio Vargas).

A elaboração do novo índice também conta com a participação de representantes do mercado financeiro como a Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada), o Instituto Ethos, a Apimec (Associação dos Profissionais de Mercado de Capitais), o IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) e até mesmo o Ministério do Meio Ambiente, com novas recomendações neste sentido.

Empresas atuantes na sociedade

Segundo o presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho, a iniciativa é relevante porque a sociedade exige cada vez mais responsabilidade social das companhias e instituições, e muitas empresas já estão neste caminho. Ele reforça a preocupação da Bovespa com o tema e lembra que a entidade aderiu, recentemente, ao Pacto Global, uma iniciativa que promove a responsabilidade social coorporativa do secretário geral da ONU, Kofi Annan.

Tomando como base experiências internacionais, o novo índice deve abranger empresas socialmente responsáveis e sustentáveis em longo prazo. Ainda que o conceito de responsabilidade social englobe valores econômicos e humanos de difícil quantificação, por se tratar de um índice acionário, a preocupação principal será, sobretudo, o retorno financeiro que estas empresas propiciam aos acionistas por seus investimentos. Daí a inclusão de empresas que não apenas atuem sob os princípios de responsabilidade social, mas que também tenham boas perspectivas de longo prazo.

FGV deve compor índice

Por intermédio de seu Centro de Estudos em Sustentabilidade (CES), caberá à FGV definir a metodologia e o questionário que será enviado às empresas abertas. Previsto para ser enviado em janeiro e fevereiro de forma eletrônica, o questionário inclui cerca de cem perguntas que se dividem em três categorias: ambiental, social e econômico-financeiro.

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As questões abrangem a política da empresa, sua gestão, desempenho e como ela atende à legislação. Depois de receber o questionário, as empresas terão entre 45 e 60 dias para enviar suas respostas. O índice deve incluir cerca de 40 empresas, atuantes em vários setores, sendo que sua composição será revista anualmente.

Nova referência?

Para o coordenador do desenvolvimento do novo índice, Ricardo Pinto Nogueira, que também acumula a função de superintendente-executivo de Operações da Bovespa, o novo índice vem atender a uma demanda por parte de investidores institucionais, que buscam investir em empresas sustentáveis que atendam a princípios de responsabilidade social.

Nogueira acredita que o índice deve servir de parâmetro para quem busca investir em ações com boas perspectivas de retorno, e que adotem uma estratégia socialmente responsável. Além de impulsionar este tipo de investimento, o responsável pela área de Responsabilidade Social da Apimec , Roberto Gonzalez, aposta que o índice da Bovespa deva abrir espaço para o surgimento de outros índices semelhantes.