Foco do mercado dividiu-se entre cenário doméstico e EUA e dólar encerrou em alta

Mesmo com menor alta do IGP-M, inflação no varejo ainda preocupa mercado; economia norte-americana também foi foco

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SÃO PAULO – Com as atenções dos investidores divididas entre o cenário doméstico e o mercado internacional, o dólar encerrou em alta as negociações desta quinta-feira. A moeda norte-americana seguiu a mesma tendência durante toda a sessão, refletindo uma maior cautela dos investidores.

Inflação no varejo ainda preocupa mercado

Dentre os destaques do dia, a Fundação Getúlio Vargas divulgou a primeira prévia de julho do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que apurou uma alta de 0,56% no período, menor, portanto, que a elevação de 0,66% registrada na primeira medição do mês anterior.

Analisando-se os seus componentes, houve uma desaceleração no atacado, enquanto no varejo houve uma maior alta. De uma maneira geral, a maior alta dos preços no varejo pode ser atribuída aos grupos vestuário e transportes e, segundo a opinião dos analistas, a inflação deverá continuar registrando maior alta no varejo nos próximos meses.

Isto traz uma maior preocupação aos investidores sobre o rumo da política monetária brasileira, já que as perspectivas de maior alta dos preços no varejo, por conta dos reajustes dos preços dos combustíveis e também das tarifas de luz e telefonia, poderiam levar o Copom (Comitê de Política Monetária) a manter a Selic nos próximos meses.

Maior recuperação da economia brasileira

Ainda no âmbito econômico, os investidores analisam a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta manhã. De acordo com o levantamento, a indústria brasileira registrou, em maio, uma produção 7,8% maior quando se toma como base de comparação igual mês do ano anterior.

Frente ao mês de abril, a produção industrial registrou uma elevação de 2,2%, a maior alta registrada nesta comparação deste setembro de 2003. Vale destacar que, assim como em outros meses, foram os setores ligados à exportação e ao agronegócio que impulsionaram o desempenho da indústria no período.

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Cenário externo trouxe cautela

Passando para o cenário internacional, o mercado seguiu atento à evolução da economia norte-americana, sendo que nesta quinta-feira houve a divulgação do Initial Claims, que mede o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos. Na semana terminada em 3 de julho, o indicador apurou 310 mil pedidos de auxílio-desemprego, abaixo dos 345 mil esperados pelo mercado, sinalizando uma melhora da maior economia do globo.

Ou seja, com uma maior expansão da economia norte-americana, o Federal Reserve tem maior liberdade para elevar de uma maneira mais acelerada a taxa básica de juro dos Estados Unidos, fato que tende a ser negativo a países emergentes, dentre eles o Brasil, por poder provocar uma fuga de capitais nestas economias.

Dólar encerrou em alta de 0,82%

Dessa maneira, o dólar comercial fechou cotado a R$ 3,0570 na compra e R$ 3,0600
na venda, forte alta de 0,82% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$
3,1800, representando um ágio de 4,02%
em relação ao dólar comercial.
Apesar desta alta, o
dólar acumula desvalorização de 0,91% em julho, frente
à baixa de 1,65% registrada no mês passado.

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No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 5,44%.

Dólar futuro na BM&F
também fechou em alta

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em agosto
encerrou o dia cotado a R$ 3.085,
alta de 0,69% em relação ao fechamento
de R$ 3.064
da última quarta-feira. O contrato com vencimento em setembro, por sua vez, fechou em forte alta de 0,81%,
atingindo R$ 3.124 frente
à R$ 3.099 do fechamento de
quarta-feira.