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SÃO PAULO – Refletindo uma postura mais cautelosa, diante das incertezas quanto à política monetária dos Estados Unidos e também com a aceleração da inflação, o Copom (Comitê de Política Monetária) deverá, pelo terceiro mês seguido, manter inalterada a taxa básica de juro da economia brasileira.
Neste sentido, mesmo com a inflação subindo para um patamar em linha com as expectativas do mercado, a autoridade monetária deverá continuar utilizando o discurso de cautela para justificar a manutenção da Selic em 16% ao ano neste mês.
Para tanto, o Copom deverá levar em conta os seguintes fatores para a sua decisão: (i) incertezas quanto aos efeitos dos reajustes dos preços administrados, principalmente tarifas públicas, sobre a inflação nos próximos meses; (ii) sinais mais sólidos de recuperação da economia brasileira e (iii) rumo da política monetária do Federal Reserve, nos Estados Unidos.
Incertezas quanto ao impacto dos reajustes
Em um primeiro momento, a provável decisão do Copom pela manutenção da Selic deve ser justificada pelos impactos ainda desconhecidos dos reajustes das tarifas de energia e telefonia sobre a inflação. Os índices de preços recém-divulgados vêm mostrando, em geral, uma desaceleração da inflação no atacado, porém uma maior alta dos preços no varejo.
A maior alta dos preços no varejo, por sua vez, reflete a variação dos preços dos combustíveis na bomba, em decorrência do reajuste promovido pela Petrobras, e também as maiores tarifas cobradas pelas distribuidoras de energia elétrica, após os reajustes concedidos pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em junho.
Como parte destes reajustes foi aprovada somente em julho, é bastante possível que a autoridade monetária aguarde mais algum tempo para reduzir a Selic, procurando ter uma idéia mais clara do que deverá ocorrer com a inflação no curto e médio prazo.
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Além disso, outro fator que deve pesar bastante na decisão do Copom diz respeito aos reajustes das tarifas de telefonia fixa. Conforme entendimento da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e as operadoras, este reajuste, referente ainda a julho de 2003, deverá ser parcelado em duas vezes, uma em setembro e a outra em novembro.
Portanto, é bastante possível que a autoridade monetária espere mais algum tempo para ter uma dimensão mais exata do impacto destes reajustes sobre os índices de preços domésticos nos próximos meses.
Maior recuperação da economia brasileira
Outro fator que certamente será analisado pelo Copom em sua decisão sobre a Selic em julho diz respeito aos sinais mais consistentes de recuperação econômica. Para se ter uma idéia, os recentes indicadores de produção industrial e vendas no varejo vêm mostrando um maior reaquecimento da atividade econômica doméstica.
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Neste sentido, os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) deram conta de que as vendas no varejo registraram um crescimento real de 10,01% em maio, tomando-se como base de comparação igual mês do ano anterior. Com relação à produção industrial, foi constatado, também pelo IBGE, que houve um crescimento do indicador em todas as regiões analisadas em maio.
Assim, com este cenário, o argumento utilizado pelo Copom pode ser de que a economia brasileira já está reagindo bem aos cortes feitos anteriormente, o que dá espaço para um maior conservadorismo da autoridade monetária em sua decisão sobre a Selic.
Política monetária dos EUA também em foco
Além dos sinais mais consistentes de reaquecimento da atividade econômica e da questão dos reajustes tarifários, fatores externos também devem ser avaliados pelo Copom em sua decisão sobre a taxa básica de juro da economia brasileira. O principal destes fatores é, sem dúvida, o rumo da política monetária que será adotado pelo Federal Reserve nos próximos meses.
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Neste sentido, espera-se que o Fed seja mais cauteloso em suas próximas decisões de elevação do juro dos EUA, já que os recentes índices de preços norte-americanos não dão muito espaço para elevações bruscas dos Fed Funds. Vale lembrar que na semana anterior, o PPI mostrou uma deflação no atacado, enquanto o núcleo da inflação no varejo ficou levemente abaixo das expectativas.
Percebe-se, assim, que as incertezas quanto à inflação doméstica e a conduta do Federal Reserve devem continuar levando o Copom a manter a Selic em julho. Além disso, a melhora dos indicadores referentes à economia doméstica também deve justificar a decisão da autoridade monetária.