China também tem mercado para produção de micro e pequenas empresas

Com uma grande demanda reprimida, país asiático é a grande promessa para exportadores brasileiros

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SÃO PAULO – Se a pergunta que mais se ouve nos últimos dias é o que o Brasil tem a oferecer para a China em termos de produtos exportáveis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dará a resposta ao chegar a China nesse final de semana, em visita oficial ao gigante asiático, juntamente com uma comitiva de aproximadamente 500 pessoas, a maioria empresários de todos os setores.

De acordo com o Governo Federal, a intenção desse misto de visita oficial e missão comercial é mostrar que o Brasil não tem a oferecer somente minério de ferro, aço, celulose, máquinas e instrumentos mecânicos, madeira, couros e peles, automóveis e suco de laranja.

Mercado chinês tem fome por consumo

A economia chinesa é, sem dúvida alguma, a economia com ritmo de crescimento mais acelerado do mundo, registrando uma espantosa taxa de 9,3% ao ano, desde 1979. No entanto, a China ainda possui uma demanda reprimida muito grande, que se traduz em uma extensa pauta de importação e um grande volume de comércio com o restante do mundo.

O Brasil, contudo, ainda não chegou próximo do potencial de comércio com a China. Atualmente os produtos brasileiros representam somente 1% da pauta de exportações para a China, embora o Governo Federal deseje aumentar rapidamente o comércio bilateral, prevendo um volume de US$ 10 bilhões em 2005.

No primeiro bimestre de 2004, as exportações brasileiras para a China somaram US$ 635 milhões, o que representou expressivo crescimento de 59,9% sobre igual período de 2003, em que as vendas externas totalizaram US$ 397 milhões.

Micro e pequenas empresas poderão se beneficiar

Nessa viagem do presidente Lula a China, estarão presentes empresas de setores previamente selecionados com base no potencial de exportação para a China. São empresas produtoras de cafés especiais, carnes, frutas processadas, sucos de frutas, vinho, cachaça, equipamentos médicos e odontológicos, móveis, software, cosméticos, pedras e gemas, equipamentos esportivos, gás e petróleo, componentes de calçados, calçados femininos e masculinos, mármore e biotecnologia.

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“O Brasil está sendo encarado como o maior parceiro preferencial da China, e os negócios agora estão se abrindo também para micro e pequenas empresas numa velocidade antes nunca imaginada”, declarou Nelson Eidt, diretor de negócios regional da Câmara de Indústria e Comércio Brasil-China.

“No ano passado o Brasil recebeu mais de mil delegações chinesas e enviou apenas dez à China”, disse Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, “Não é só para comprar e vender, é também para fazer parcerias. Mal começamos a explorar a mina que é o mercado chinês”.

Chineses têm afinidade natural com Brasil

Apesar de já conhecerem e apreciarem produtos tipicamente brasileiros como o churrasco gaúcho, o samba, o futebol e o gosto pelas belezas naturais brasileiras, cabe tanto ao governo quanto aos empresários brasileiros mostrar para a China que o Brasil tem muito mais a oferecer.

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Atualmente existem na china cerca de 400 churrascarias de estilo gaúcho, adaptadas ao gosto chinês, que são um verdadeiro sucesso. “Os mistérios do sabor do churrasco são quase tão fascinantes quanto a técnica do Ronaldo ou a música forte do povo latino”, afirmou Chen Wei, diretor de uma academia de música de Pequim.

Recentemente o governo chinês, incluiu o Brasil na lista de países aprovados para viagens turísticas pelos chineses. Apesar do volume de turistas desse país ainda ser pequeno, esse volume desse explodir em pouco tempo, principalmente pelo seu interesse pelas belezas naturais do Brasil, principalmente da Amazônia e Foz o Iguaçu.

Micro e pequeno empresário deve se preparar

A China tem algo em torno de US$ 400 bilhões em dinheiro vivo pronto para ser investido em importações e investimentos, mas somente empresários preparados e dispostos a se preparar para esse novo mercado irão poder desfrutar de uma fatia desse valor.

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“Só se estabelece quem tem condições e competência. Quando não existe interesse é difícil negociar com os chineses, mas quando eles estão interessados são de uma agressividade ímpar”, afirma Norton Rapesta, chefe da divisão de Operações de Promoção Comercial do Itamaraty.

Esse grande potencial do mercado chinês também é avalizado por Haroldo Bonfá, diretor da Cia Cacique de Café Solúvel, “agora existe um público ávidos por novidades e por processos culturais diferentes”.

Cabe ao micro e pequeno empresário brasileiro procurar por informações e orientação quanto a China enquanto parceiro comercial, preparando-se para o grande volume de negócios e oportunidades que com certeza irão surgir com essa viagem do presidente Lula ao país.

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Somente como comparativo, após a viagem de Lula à Síria no ano passado, as exportações do Brasil para esse país árabe cresceram 735,2%, segundo dados do Itamaraty.