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SÃO PAULO – Em uma semana de poucos negócios, em função do feriado de Corpus Christi no Brasil e recesso em homenagem ao ex-presidente Ronald Reagan nos EUA, o mercado brasileiro apresentou um desempenho limitado.
No cenário externo, o destaque ficou para o discurso do presidente do Fed, Alan Greenspan, acerca dos possíveis impactos da alta do petróleo na inflação e na política macroeconômica dos EUA, que contempla um possível aumento da taxa de juro neste mês. Dessa maneira, o dólar e os juros futuros acumularam alta na semana, enquanto o Ibovespa fechou praticamente estável. Vale destacar que o risco país encerrou no patamar dos 680 pontos base, pouco acima do nível registrado na semana anterior.
Fed poderá elevar juro dos EUA em junho
O discurso de Alan Greenspan, na última terça-feira em uma conferência em Londres, alertou que a alta persistente do petróleo poderá provocar um efeito inflacionário nos Estados Unidos e que as autoridades monetárias podem elevar agressivamente o juro norte-americano, caso suas projeções de inflação moderada mostrem-se errôneas.
Desta maneira, muitos analistas apostam em uma alta de 0,25 ponto percentual no juro dos Estados Unidos no curto prazo, com alguns apostando que o Fed poderia tomar uma decisão nessa direção já na sua próxima reunião nos dias 29 e 30 de junho.
Inflação registra alta acima do esperado
No campo econômico, o destaque da semana foi a aceleração da inflação no Brasil, demonstrada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que apontou inflação de 0,51% no mês de maio, praticamente em linha com o esperado pelo mercado.
Além disso, os investidores também analisaram os dados referentes à produção industrial do país, que registrou expansão de 6,7% em abril, tomando-se como base de comparação igual período do ano anterior. Se levarmos em conta os dados do acumulado do ano, poderemos constatar que houve um crescimento da produção industrial da ordem de 6,1% frente aos quatro primeiros meses de 2003. Outro destaque na semana ficou com a divulgação da carga tributária bruta brasileira em 2003, que registrou leve aumento de 0,16 ponto percentual frente ao ano anterior, para 35,68% do PIB.
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Com a aceleração da inflação e o bom desempenho da indústria, aumenta a expectativa de que o Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, mantenha uma postura conservadora quanto à taxa básica de juro brasileira, em sua reunião na próxima semana. Vale ressaltar que a maior parte dos analistas acredita que o Banco Central deva manter a Selic em 16,0% ao ano.
Outro fator de destaque na semana foi o anúncio da decisão do Banco Central de rolar parte da dívida cambial que vence no próximo dia 17 de junho, em função do aumento da demanda por hedge no mercado. A intenção do banco era de rolar cerca de US$ 400 milhões, entretanto, só conseguiu rolar 33% do principal da dívida cambial de US$ 983 milhões.
Mercado norte-americano teve desempenho limitado
No cenário internacional, mais especificamente no mercado norte-americano, vários indicadores econômicos foram divulgados na semana. O destaque ficou com a divulgação do Initial Jobless Claims referente à semana terminada em 5 de junho. O indicador, que mede o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, registrou 352 mil pedidos, bem acima das expectativas de 335 mil. O índice revisado da semana anterior acusou 340 mil pedidos.
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Finalmente, no mercado de petróleo, o preço do barril encerrou cotado a US$ 35,67 por barril, acumulando queda de 2,5% no período, ainda refletindo o anúncio do aumento de reservas de petróleo nos Estados Unidos e o aumento em 2 milhões de barris por dia, feito pela OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Contribuiu ainda para esta queda semanal no preço da commodity o fim da greve dos trabalhadores no setor de petróleo na Nigéria.
Dólar e juros futuros acumularam alta
No mercado de câmbio, o comportamento do dólar também foi afetado pelo baixo volume de negócios. Com isso, a divisa fechou em leve alta de 0,29% na semana, impulsionada pela possibilidade de elevação da taxa de juro nos Estados Unidos já no mês de junho.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda, com o mercado se ajustando após as recentes altas. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,24% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,17% no início da semana. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,92%, configurando uma leve alta frente à taxa registrada na semana anterior.
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O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por um fraco volume de negócios. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista acumulou leve alta de 0,08% no período.
Copom será destaque na próxima semana
O destaque na próxima semana será a reunião do Copom nos dias 15 e 16 de junho e a divulgação do IPC (Índice de Preço ao Consumidor) da Fipe referente à primeira e segunda quadrisemana de junho. Além disso, teremos a divulgação da PMC ( Pesquisa Mensal do Comércio) e o relatório de Emprego e Salário na Indústria, ambos realizados pelo IBGE.
Nos Estados Unidos, o destaque fica para a divulgação dos seguintes índices: Trade Balance, Retail Sales, Consumer Price Index, Core CPI, NY Empire State Index, Business Inventories, Michigan Sentiment, Housing Starts, Building Permits, Industrial Production, Fed Beige Book, Leading Indicators, Philadelphia Fed, Initial Claims e Current Account.