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SÃO PAULO – Em uma semana marcada pela leve melhora no cenário interno e externo, o mercado brasileiro como um todo apresentou um bom desempenho no período. No cenário externo, o destaque ficou para o discurso do presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, acerca da gradual elevação do juro nos Estados Unidos, o que impactou positivamente no mercado brasileiro.
Já no cenário doméstico, os destaques foram a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) e a derrota do governo no Senado, sendo que esta última influenciou negativamente o mercado. Dessa maneira, o dólar fechou estável, os juros futuros acumularam queda na semana, enquanto o Ibovespa fechou em alta. Vale destacar que o risco país encerrou no patamar dos 661 pontos base, abaixo do nível registrado na semana anterior.
Fed planeja elevação gradual do juro nos EUA
O chairman do Federal Reserve disse, nesta semana, ao Senado norte-americano que o aumento na taxa básica de juros do país, que está atualmente em 1,0% ao ano, deverá ser gradual. Pois, segundo Greenspan, há pouca possibilidade de que a inflação nos Estados Unidos dispare e force uma série agressiva de aumentos na taxa de juro no curto prazo.
Desta maneira, o mercado financeiro tem interpretado a expressão de Greenspan como indicação de aumento de 0,25 ponto percentual, em oposição a aumentos mais agressivos, o que poderia comprometer a atividade econômica mundial, uma vez que o juro dos Estados Unidos é parâmetro para todos os outros países.
Copom e derrota do governo no Senado são destaques
A fracassada tentativa do Governo Lula em aprovar o novo salário mínimo no Senado trouxe apreensão ao mercado quanto à capacidade do governo de articular sua base aliada. O governo obteve 31 votos a favor da elevação do mínimo para R$ 260 e 44 votos para a proposta de R$ 275 da oposição. A expectativa agora fica com a nova votação na Câmara. Uma nova derrota pode desgastar ainda mais a imagem do governo.
No campo econômico, destaque nesta semana para a reunião do Copom, que manteve o atual patamar da Selic em 16,0% ao ano, como o esperado. Esta atitude por parte do colegiado do Banco Central reflete a cautela acerca dos atuais choques adversos na economia, com destaque para a disparada do barril de petróleo no mercado internacional, a expectativa de elevação da taxa de juro norte-americana e a alta da inflação na economia brasileira.
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E, por falar em inflação, também esteve em foco a divulgação do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe relativo à primeira e a segunda quadrissemanas no mês de junho, sendo que ambos registraram uma aceleração da inflação ao apresentarem variação positiva de 0,77% e 0,80%, respectivamente. Além disso, foi registrado no mês de abril a primeira queda no ano em relação ao nível de emprego na indústria, com recuo de 0,5% em abril frente a março.
Mercado norte-americano teve bom desempenho
No cenário internacional, mais especificamente no mercado norte-americano, diversos indicadores econômicos foram divulgados na semana. O destaque ficou com a divulgação do
índice Michigan Sentiment, que atingiu 95,2 pontos no mês de junho, acima das expectativas do mercado.
Ainda reforçando a expansão da economia dos Estados Unidos, foram registrados a expansão da indústria em 1,1%, acima das expectativas, que apontavam para alta de 0,8%, e a queda dos pedidos de auxílio-desemprego.
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Finalmente, no mercado de petróleo, o preço do barril encerrou cotado a US$ 36,21 por barril, acumulando alta de 2,0% no período, refletindo os ataques a oleodutos no Iraque, que ainda não foram reparados e comprometem o escoamento da produção do país. Outro fato que deve ser levado em consideração foi o acidente que atingiu as reservas petrolíferas da Noruega e reduziram em 455 mil barris/dia a produção do país, que era de 3 milhões de barris/dia.
Dólar fechou estável e juros futuros acumularam queda
No mercado de câmbio, o comportamento do dólar foi afetado por variáveis econômico-políticas internas e externas. Com isso, a divisa fechou praticamente estável, com uma alta de 0,03% na semana, refletindo por um lado o anúncio da gradual elevação do juro dos EUA e por outro a derrota do governo no Senado.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 16,96% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,24% no início da semana. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,82%, configurando uma leve queda frente à taxa registrada na semana anterior.
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O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por uma melhora, intensificada pelo recorde histórico de negociações, devido ao vencimento de contratos no mercado de opções. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista acumulou alta de 2,52% no período.
Inflação será destaque na próxima semana
Na próxima semana, o destaque ficará para a divulgação de diversos índices de inflação, como o IPC da Fipe referente à terceira quadrissemana de junho, a segunda prévia de junho do IGP-M (Índice Geral de Preço Mercado), o IGP-10 de junho e o IPCA-15 (Índice de Preço ao Consumidor Amplo – 15). Além disso, foco para a divulgação da Ata da última reunião do Copom.
Nos Estados Unidos, as atenções estarão voltadas para a divulgação dos seguintes índices: Durable Good Orders, Initial Claims, New Home Sales, GPD final, Michigan Sentiment e Existing Home Sales.