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SÃO PAULO – Confirmando rumores, o Banco Central anunciou a segunda captação soberana do ano nesta segunda-feira, trazendo otimismo ao mercado. Vale destacar que o governo brasileiro propôs uma oferta inicial de US$ 500 milhões, mas que, devido à demanda estimada em US$ 2 bilhões, a captação, com vencimento em 29 de junho de 2009, foi ampliada para US$ 750 milhões.
O novo título tem cupom de 5,75% ao ano acima da taxa Libor de 3 meses, em dólar, sendo o seu nível inicial em 7,31% ao ano. O novo bônus foi colocado ao preço de 99,245% do seu valor de face, resultando em um spread final de 593 pontos-base acima da Libor de 3 meses.
Em um cenário bastante volátil para as taxas de juros norte-americanas, as captações com taxas flutuantes são ideais, seguindo exemplos de emissões realizadas pelo México e Venezuela recentemente. Com o pagamento de juros seguindo taxas flutuantes, os investidores ficam menos expostos a uma possível elevação significativa da taxa de juro nos EUA. Vale lembrar que esta foi a primeira emissão soberana brasileira deste tipo desde de 1996.
Deterioração do mercado eleva spread
A última captação do Brasil foi em janeiro, quando o país havia captado US$ 1,5 bilhão com emissão de papéis com prazo de 30 anos. Pelo empréstimo, o país pagou juros de 8,75% ao ano, a menor taxa paga pelo governo desde a reestruturação da dívida brasileira, em 1994.
Com vencimento em 20 de janeiro de 2034, os papéis emitidos em janeiro pagaram cupom de 8,25% ao ano e foram emitidos a 94,723% do valor de face, levando a um spread, ou diferencial em relação aos títulos do Tesouro norte-americano, de apenas 376 pontos base.
A grande diferença nos spreads obtidos mostra a deterioração da percepção do mercado em relação ao risco Brasil, uma vez que, mesmo com um prazo muito mais curto, o spread da operação liderada pela Merrill Lynch e pela Goldman Sachs nesta segunda-feira foi bastante superior ao da operação de janeiro. Com essa emissão, o Brasil já captou neste ano US$ 2,250 bilhões no mercado global.