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SÃO PAULO – Com o foco direcionado para a pauta econômica, o mercado brasileiro como um todo apresentou um bom desempenho na primeira semana completa de janeiro, de forma que tanto o dólar quanto os juros futuros acumularam queda no período. O destaque, neste sentido, ficou para a forte alta registrada pelo C-Bond, que superou seu valor de face, e para conseqüente queda do risco país.
Mercado segue otimista e risco país acumula queda
Neste sentido, o C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, encerrou a semana cotado a 100,94% do seu valor de face, ultrapassando, dessa maneira, o patamar de 100% que dá direito ao governo de exercer a recompra destes bônus. Com este patamar, o título acumulou alta de 2,16% na semana, refletindo as perspectivas otimistas para a economia brasileira como um todo ao longo deste ano.
Vale destacar que grande parte do mercado aposta que o governo promoverá uma troca de títulos, colocando no mercado bônus globais e “recolhendo” os C-Bonds. Com a elevação da cotação deste título, bem como com a alta dos demais bônus da dívida externa brasileira, o risco país, medido pelo JP Morgan, encerrou cotado a 407 pontos base, o que representa uma queda de 40 pontos base frente à semana anterior.
Atividade industrial continua mostrando expansão
Ainda na agenda econômica, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou sua Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física, mostrando que a indústria brasileira registrou uma elevação de 0,8% em sua produção em novembro, tomando-se como base o mês anterior.
Isto confirma a tendência de recuperação da atividade industrial no país, ainda que em velocidade menor que a esperada pelo mercado. Por falar em atividade econômica, o mercado também analisou o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe, que apurou uma elevação dos preços da ordem de 0,42% em dezembro, levando a inflação acumulada no ano a 8,17% segundo este índice, abaixo, portanto, da alta de 9,9% registrado em 2002.
Após compras do BC, Palocci reafirma câmbio flutuante
Além disso, outro fato que agitou o mercado brasileiro na semana diz respeito ao anúncio feito pelo Banco Central de que a instituição passaria a comprar dólares diretamente no mercado de câmbio. O objetivo da medida, segundo o BC, é recompor as reservas do país, ampliando, assim, a liquidez em dólares da economia e reduzindo a vulnerabilidade da economia local a choques externos.
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Após especulações de que o governo intencionava também, com esta medida, conter a forte queda do dólar apresentada recentemente, o Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, veio a público esclarecer que a equipe econômica reitera o seu compromisso com o câmbio flutuante, acreditando que qualquer forma de intervenção na taxa de câmbio pode ser prejudicial à economia brasileira como um todo.
Mercado norte-americano teve bom desempenho
Com relação ao mercado norte-americano, a semana também foi marcada pelo maior otimismo, de forma que as principais bolsas do país registraram alta no período, levando o índice Nasdaq ao seu maior patamar de pontos desde 2001. Foco também para o Employment Report, que mostrou um fraco aumento do número de postos de trabalho na economia local ao longo do mês de dezembro e afetou negativamente o mercado.
No mercado de petróleo, o barril do tipo Brent encerrou a semana cotado a US$ 31,35, acumulando expressiva alta no período de 6,95%. Tal desempenho refletiu, basicamente, uma queda nas temperaturas do Nordeste dos Estados Unidos, fato que impulsionou a demanda pela commodity e, portanto, seus preços ao longo do período considerado.
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Dólar e juros futuros acumularam queda
No mercado cambial, o dólar encerrou em queda de 1,67% na semana, fechando cotado a R$ 2,831. O comportamento da moeda norte-americana no período refletiu, basicamente, um maior otimismo em relação à economia brasileira, sendo a queda foi reforçada após o volume de compras do BC ter sido considerado baixo pelo mercado.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda, com as apostas de novo corte da Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária). Assim, o contrato futuro com vencimento em julho de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 15,15% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 15,71% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,93%, ligeiramente abaixo da taxa registrada na semana anterior.
A bolsa paulista, por sua vez, acumulou fortes ganhos no período, refletindo, além do maior ânimo com as notícias de cunho econômico, um excelente desempenho dos papéis do setor siderúrgico e também das ações da Petrobras, beneficiadas pela forte alta do petróleo no mercado internacional e por um movimento de recuperação. Assim, o Ibovespa acumulou ganhos de 6,56% no período.
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Índices de preços serão destaque na 2ª semana de janeiro
A segunda semana de janeiro será marcada por um grande número de indicadores, sendo que os índices de preços terão destaque tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No Brasil, a Fipe divulgará o seu IPC referente à primeira quadrissemana de janeiro, enquanto o IBGE deverá divulgar o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), ambos referentes ao mês de dezembro e, por extensão, também a todo ano de 2003.
O IBGE ainda divulgará suas pesquisas sobre a atividade econômica local, sendo que três terão destaque: a Pesquisa Mensal do Comércio, a Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Regional e a Pesquisa dos Custos e Índices da Construção Civil. Vale destacar que as duas primeiras são referentes a novembro, enquanto a última trará uma análise do mês de dezembro.
Nos Estados Unidos, serão divulgados vários indicadores: Trade Balance, PPI, Beige Book, o CPI, NY Empire State, o Retail Sales, o Philadelphia Fed Index, o Treasury Budget, o Business Inventories, o Industrial Production, o Capacity Utilization e o Michigan Sentiment.