Mesmo com compras do BC, dólar fecha em queda pressionado por captações

Apesar de realizar três leilões durante a sessão, BC não consegue reverter queda do dólar nesta quinta-feira

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SÃO PAULO – O dólar fechou esta quinta-feira em queda e se aproximou novamente do pata mar de R$ 2,80, novamente pressionado pela elevada entrada de capitais externos na economia brasileira, sobretudo em função das captações promovidas por empresas brasileiras nos últimos dias.

Com isto, nem mesmo a atuação do Banco Central no mercado cambial, que voltou a ocorrer nesta quinta-feira através de três leilões de compra de dólares, impediu que o dólar fechasse em queda, a primeira após duas sessões de valorização da moeda norte-americana frente ao real.

BC intervém, mas não consegue reverter queda

A autoridade monetária voltou a intervir no mercado cambial nesta quinta-feira, realizando o nono, o décimo e o décimo primeiro leilões de compra de dólares desde a semana passada, quando anunciou que passaria a adquirir a moeda norte-americana diretamente no mercado, a fim de elevar o nível de reservas internacionais brasileiras.

Apesar dos três leilões, em que o BC comprou dólares pelas respectivas cotações de R$ 2,816, R$ 2,81 e R$ 2,812, o dólar manteve sua tendência de queda durante toda a sessão, pressionado pelo forte ingresso de capitais no país, que volta a confirmar o otimismo dos investidores internacionais em relação às perspectivas para o cenário econômico brasileiro.

Captações retornam ao foco dos investidores

Aproveitando o atual momento de maior confiança dos investidores internacionais na economia brasileira, as empresas seguem emitindo papéis no exterior, procurando se capitalizarem com taxas de juros inferiores às usuais no mercado interno. Com isto, o empresas como Braskem, que lançou US$ 250 milhões em papéis no mercado internacional, e bancos, como Bradesco, com mais US$ 100 milhões, voltaram a acessar o mercado.

Da mesma forma, os investidores aguardam que empresas como Votorantim, Usiminas e Petrobras realizem operações semelhantes nos próximos dias. Vale destacar, ainda, que a Vale do Rio Doce segue recebendo nestes dias os recursos provenientes de sua captação de US$ 500 milhões anunciada na última sexta-feira. A operação envolveu papéis de 30 anos, os de prazo mais longo já emitidos por uma empresa brasileira na história.

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Dólar fechou em leve queda

O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,8140 na compra e R$ 2,8150
na venda, leve baixa de 0,11% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$
2,9830, representando um ágio de 6,01%
em relação ao dólar comercial.
Com esta queda, o
dólar acumula desvalorização de 3,00% em janeiro, frente
à baixa de 1,65% registrada no mês passado.

No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 3,00%.

Dólar futuro na BM&F
também fechou em queda

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Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em fevereiro
encerrou o dia cotado a R$ 2.829,
baixa de 0,21% em relação ao fechamento
de R$ 2.835
da última quarta-feira. O contrato com vencimento em março, por sua vez, fechou em baixa de 0,54%,
atingindo R$ 2.850 frente
à R$ 2.866 do fechamento de ontem.

Curva de FRA de cupom cambial

O FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 1,70% para março de 2004, em queda de 0,15 ponto percentual em relação ao fechamento anterior.
Já o contrato de maior liquidez, referente a julho de 2004, encerrou a 2,03%, queda de 0,17 ponto percentual em relação ao fechamento da sessão anterior.