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SÃO PAULO – Como conseqüência do forte desempenho da balança comercial brasileira, que registrou um elevado saldo de US$ 24,825 bilhões, o maior da história, o balanço de pagamentos fechou 2003 com um resultado positivo em US$ 8,496 bilhões, frente ao superávit de US$ 302 milhões verificado em 2002. Estes dados fazem parte da Nota do Setor Externo, divulgada nesta quinta-feira pelo Banco Central.
Apesar da drástica queda dos investimentos estrangeiros diretos (IED) no país, que passaram de US$ 16,590 bilhões em 2002 para US$ 10,144 bilhões no ano passado, o resultado do balanço de pagamentos foi o melhor desde o superávit de R$ 8,66 bilhões registrado em 1996.
Já analisando os dados mensais, refletindo a amortização ao FMI de US$ 6,3 bilhões, o setor externo brasileiro apresentou um fraco resultado no mês de dezembro. No último mês do ano o balanço de pagamentos registrou um elevado déficit de US$ 6,1 bilhões, frente ao saldo positivo de US$ 1,414 bilhão registrado em igual período do ano passado.
Conta corrente registra saldo positivo em dezembro
A conta de transações correntes, que agrega o saldo da balança comercial, a balança de serviços e rendas e também as transferências unilaterais líquidas, registrou um superávit de US$ 349 milhões em dezembro de 2003, bem acima, portanto, do resultado negativo em US$ 91 milhões apurado em igual período do ano anterior. A balança comercial foi superavitária em US$ 2,759 bilhões no período, performance bastante superior ao superávit de US$ 1,8 bilhão em igual período do ano anterior.
Este melhor desempenho reflete, basicamente, a forte elevação das exportações no período, que passaram de US$ 5,242 bilhões em dezembro de 2002 para US$ 6,748 bilhões em igual mês do ano passado, o que representa uma elevação de 28,7% no período. Com relação à conta de serviços e rendas, foi registrada uma ampliação do déficit, que passou de US$ 2,130 bilhões para US$ 2,694 bilhões nesta mesma comparação.
Quando comparamos o desempenho do acumulado do ano, percebemos que o setor externo brasileiro registra uma expressiva melhora. Neste sentido, a conta de transações correntes acumulou um superávit de US$ 4,051 bilhões em 2003, revertendo o déficit de US$ 7,718 bilhões apresentado no ano anterior, conforme mostrado pelos dados do Banco Central.
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IED fechou 2003 em US$ 10,144 bilhões
Passando para a conta de capital e financeira, podemos constatar, por outro lado, uma significativa piora na comparação com dezembro de 2002. Para se ter uma idéia, naquela ocasião a conta registrava um saldo positivo de US$ 1,963 bilhão, sendo que em igual mês do ano passado, foi registrado um elevado déficit de US$ 6,438 bilhões, refletindo, basicamente, o pagamento de US$ 6,3 bilhões ao FMI.
De acordo com os dados do BC, os IED líquidos recuaram cerca de 6,25% entre os meses de dezembro de 2002 e 2003, passando, assim, de US$ 1,503 bilhão para US$ 1,409 bilhão nesta comparação. No acumulado do ano, os investimentos estrangeiros diretos líquidos ficaram em patamar muito abaixo daquele verificado no ano retrasado.
Para se ter uma idéia, enquanto entre janeiro e dezembro de 2002, os IED líquidos somaram US$ 16,590 bilhões, já em 2003, a conta encerrou em apenas US$ 10,144 bilhões, um forte recuo de 38,85%. Esta forte queda nos IED refletiu tanto a maior aversão ao risco dos investidores quando o cenário turbulento apresentado no início do ano.