Comentário da semana: manutenção da Selic foi destaque

Em semana marcada pela reação dos mercados à decisão do Copom, dólar, juros futuros e bolsa fecharam em alta

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SÃO PAULO – O foco do mercado brasileiro ficou, na semana que se encerrou, voltado para a decisão do Copom, que acabou surpreendendo a todos, ao manter a taxa Selic inalterada em 16,5% ao ano. Com isso, houve uma forte reação nos mercados de juros e de ações, enquanto o mercado cambial seguiu sendo afetado, por um lado, pela forte entrada de recursos do exterior, e, por outro, pelas intervenções do Banco Central.

No âmbito econômico, os destaques ficaram para a divulgação de diversos índices de preços, que indicaram uma alta de inflação nas primeiras semanas do ano, e para a queda do desemprego em dezembro.

Banco Central mantém Selic

O grande destaque nesta semana foi a surpreendente manutenção da Selic em 16,5% ao ano, em uma postura conservadora do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, após ter sido reduzida em 10 pontos percentuais desde o ano passado.

O motivo de tal manutenção, segundo comunicado divulgado pelo BC, foi que os cortes anteriormente realizados na taxa Selic ainda não se refletiram integralmente na economia. Além disto, também influenciou a manutenção da Selic a tendência inflacionária apresentada neste início de ano.

Inflação acelera em janeiro

Nesse sentido, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da FIPE registrou uma inflação de 0,71% na segunda quadrissemana de janeiro, frente a uma variação positiva de 0,59% na quadrissemana anterior. Enquanto isso, o IGP-10 (Índice Geral de Preços) registrou variação positiva dos preços de 0,76% no período de trinta dias até 10 de janeiro. Já o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, registrou inflação de 0,65%, também acima das expectativas do mercado.

Vale destacar ainda que, após o nível de desocupação ter encerrado o mês de dezembro a 10,9%, menor que os 12,2% registrados em novembro, o desemprego ficou em 12,3% na média do primeiro ano do governo Lula, segundo pesquisa do IBGE. Em 2002, a taxa de desocupação foi de 11,7%.

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Mercado norte-americano apresenta desempenho instável

O mercado norte-americano foi marcado por vários resultados corporativos importantes, divulgados durante toda a semana. Dentre os que mais afetaram o mercado destaque para o da Kodak, que anunciou que irá dispensar 20% de sua força de trabalho até 2007. Já a Ford apresentou um lucro líquido fortemente acima do esperado por analistas. O setor financeiro também se destacou com bons resultados do JP Morgan e Merrill Lynch. A Motorola, por sua vez, levou cautela a investidores ao reduzir suas projeções para os próximos meses. Por fim, a Microsoft indicou boas perspectivas para 2004.

No mercado de petróleo, por sua vez, a commodity apresentou elevação de 1,31% na semana, de forma que o barril tipo Brent, negociado no mercado de Londres, encerrou o período cotado a US$ 30,87. Tal movimento decorreu, basicamente, de baixa de temperatura nos Estados Unidos, da explosão de uma refinaria na Argélia e de apreensões frente a uma possível redução de cota de produção da OPEP.

Dólar e juros futuros registram alta

Apesar de continuar em queda no mês, o dólar acumulou leve alta de 0,46% na semana, refletindo os sete leilões de compra da moeda pelo Banco Central no mercado. Mesmo com o maior volume de intervenção da autoridade monetária, porém, a elevada entrada de recursos do exterior evitou uma valorização maior da moeda norte-americana.

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Já no mercado de juros, por sua vez, a tendência foi de alta, refletindo a consistente aceleração inflacionaria e a manutenção da taxa Selic em 16,5% ao ano. Assim, o contrato futuro com vencimento em julho de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 15,90% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 15,22% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,21%, configurando um aumento de 0,43 ponto percentual frente à taxa registrada na semana anterior.

A Bovespa, por sua vez, que vinha se recuperando, sofreu forte queda após a decisão do Copom, mas mostrou recuperação na sexta-feira, liderada pelos papéis do setor elétrico. Com isso, o Ibovespa acumulou na semana leve alta de 1,37%, fechando a 23.471 pontos.

Ata do Copom é destaque na próxima semana

A última semana de janeiro terá como destaque para a divulgação da ata do Copom, na quinta-feira, que deverá esclarecer ao mercado o porquê da inesperada manutenção da Selic pelo colegiado do Banco Central.

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Também merece destaque a divulgação do IGP-M referente a janeiro, pela Fundação Getúlio Vargas e do IPC da FIPE, para a terceira quadrissemana de janeiro. O IBGE anunciará também o levantamento da produção agrícola referente ao mês de dezembro.

Nos Estados Unidos, além da reunião do Fed, banco central norte-americano, serão divulgados mais resultados corporativos, assim como importantes indicadores de atividade da economia como Consumer Confidence. Durable Good Orders, Existing Home Sales, New Home Sales, Employment Cost Index, Initial Claims, Michigan Sentiment, Chicago PMI e PIB dos EUA.