Investimentos: é preciso mudar de estratégia diante da decisão do Copom?

No curto prazo, manutenção pode prejudicar a bolsa e favorecer a renda fixa, mas no longo prazo nada muda

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SÃO PAULO – Depois de uma drástica redução da taxa básica de juro da economia, a Selic, durante o ano de 2003, a maioria dos investidores apostava que o Copom (Comitê de Política Monetária) manteria sua estratégia voltando a cortar os juros na sua reunião desta última quarta-feira, dia 21.

Contudo, contrariando as expectativas do mercado, que apostava em um corte de 50 pontos base na Selic, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a taxa básica de juro da economia em 16,5% ao ano.

Para justificar sua decisão, o colegiado alegou que não só a economia ainda não teve tempo para absorver a redução de 10 pontos percentuais praticada em 2003, como também a aceleração dos preços neste início de ano exigiu que a instituição adotasse uma postura mais conservadora com relação aos juros. Se você tem dinheiro aplicado, certamente está se perguntando se é preciso alterar sua estratégia de investimento com base nesta decisão.

DIs saem ganhando

De maneira geral, a tendência de queda menos acentuada dos juros beneficia as aplicações em renda fixa, que devem ter sua rentabilidade preservada. Ainda assim, dentre as aplicações em renda fixa, a manutenção dos juros beneficiou, sobretudo, as aplicações pós-fixadas, como os fundos DI.

Como estes fundos aplicam em títulos públicos pós-fixados, que têm seu rendimento automaticamente ajustado, o retorno destas aplicações tende a baixar quando os juros são cortados. Portanto, a decisão de manter a Selic inalterada acabou favorecendo estas aplicações, que ao contrário, teriam registrado queda no rendimento.

O mesmo não se pode dizer de alguns dos fundos de renda fixa. Como parte de sua carteira é alocada em títulos pré-fixados, uma redução dos juros lhes favoreceria, pois o preço destes títulos tenderia a subir, valorizando assim o seu patrimônio. A decisão de manter os juros deve prejudicar apenas aqueles fundos que aplicam no mercado futuro de juros, e que, portanto, terão que ajustar o valor dos seus títulos. Afinal, a manutenção da taxa de juros forçou um aumento nos juros futuros, e, conseqüentemente, a uma queda no preço destes contratos.

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Se você estava pensando em sair do mercado de renda fixa pode valer a pena pensar um pouco mais, especialmente se a intenção for investir no curto prazo e seu apetite por risco não for grande. Afinal, ainda que a tendência dos juros seja de queda, a redução no curto prazo deve ser menos acentuada.

Assim, o retorno ajustado para o risco destas aplicações deve se manter atrativo, enquanto as aplicações em renda variável podem sofrer, em um primeiro momento, com o maior pessimismo dos investidores. Dentro deste cenário um redirecionamento dos seus investimentos não valeria a pena, pois os custos envolvidos e o risco adicional que estaria correndo podem não compensar o retorno marginal que teria, especialmente se o horizonte de investimento for curto.

Bolsa deve seguir em alta

Não há dúvida de que o mercado acionário foi o mais beneficiado com o forte corte nos juros praticado em 2003, período em que a Selic caiu de 26,5% ao ano para o seu patamar atual. Com uma alta acumulada de cerca 97% durante o ano passado, o Ibovespa acabou sendo a estrela em termos de aplicação financeira.

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A decisão do Copom, apesar de frustrar os investidores mais otimistas, em nada muda as perspectivas para o desempenho do mercado de ações em 2004. A tendência para este mercado continua sendo de alta, até porque a manutenção de juros não significa uma mudança de tendência na política monetária do governo. Em outras palavras, os juros devem continuar sua trajetória de queda neste ano, só que o ritmo e a intensidade em que estes cortes irão ocorrer devem ser menores.

Portanto se você tem dinheiro investido em bolsa não vale a pena se precipitar e sacar. Afinal, segundo o último relatório do Banco Central, que inclui com as projeções de cerca 100 analistas de mercado, a taxa Selic deve fechar o ano de 2004 em 13,5% ao ano, ou uma queda de três pontos percentuais em relação ao patamar atual. Redução esta que deve sustentar a tendência de alta do Ibovespa durante 2004.

Contudo, o menor ritmo de corte dos juros deve prejudicar particularmente as ações do setor elétrico, que têm maior endividamento, assim como as teles e as empresas de bens de consumo, pois a maior demora na redução dos juros deve adiar um pouco mais a retomada do consumo. Em contrapartida, a decisão favorece ações das instituições financeiras, que tendem a se beneficiar com os juros mais altos.