Copom destaca aceleração persistente dos preços e sinaliza maior rigor com juro

Segundo a autoridade monetária, política monetária só será flexibilizada quando inflação voltar a ceder

Publicidade

SÃO PAULO – Sinalizando que a política monetária pode ser mais conservadora nos próximos meses, o Copom (Comitê de Política Monetária) divulgou, nesta quinta-feira, dia 29 de janeiro, a ata referente à sua reunião realizada entre os dias 20 e 21 deste mês, quando surpreendeu o mercado ao manter inalterada a taxa básica de juro no patamar de 16,5% ao ano.

De acordo com o documento apresentado pela autoridade monetária, foi levado em conta de forma bastante expressiva o risco de continuar com a flexibilização da política monetária em janeiro, de forma que, caso a inflação continue registrando trajetória de aceleração, ter que adotar uma política monetária mais rígida. Para evitar esse cenário, o Comitê entendeu ser mais conveniente a manutenção dos juros.

Aceleração consistente da inflação preocupa Copom

A Ata do Copom também deixa bem claro que a manutenção dos juros em janeiro está intimamente ligada ao processo consistente de aceleração inflacionária registrado no período. E o que mais preocupa a autoridade monetária, neste sentido, é justamente o fato de ainda não ser possível identificar se este maior ritmo de alta dos preços deve continuar e prenunciar uma aceleração persistente da inflação ou se é apenas reflexo sazonal, como ocorreu em setembro.

Muitos fatores fazem o Copom a levar mais em conta a primeira hipótese, já que os núcleos de inflação registraram forte elevação no período, após permanecerem em uma situação estacionária durante um bom tempo. Para se ter uma idéia, o núcleo do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) por exclusão dos alimentos no domicílio e preços administrados avançou de um patamar entre 0,35% e 0,40% em novembro para 0,63% em dezembro.

Essa tendência revela que a alta da inflação no mês não deve ser creditada ao comportamento de alguns itens específicos, como ocorreu em setembro do ano passado, quando a aceleração inflacionária era facilmente explicada pelo forte aumento dos preços administrados, sobretudo as tarifas de energia elétrica e telefonia. Além disso, o Copom atentou para o fato de que os índices parciais de janeiro ainda não mostram um recuo da inflação.

Atividade econômica continua em trajetória de recuperação

No que se refere à atividade econômica, o Copom continua afirmando que a economia brasileira segue em trajetória de recuperação, com o bom desempenho do consumo e também do setor externo. Neste sentido, o documento do BC destaca que, pela primeira vez desde o início do processo de recuperação da atividade econômica, o crescimento das vendas no varejo superou a expansão da atividade industrial em novembro, como apontado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Continua depois da publicidade

Além disso, o desempenho da balança comercial segue bastante favorável, propiciando, assim, a boa performance do saldo de transações correntes brasileiro. Com este cenário favorável da atividade econômica, o Copom destaca que o volume de captações externas já ultrapassa US$ 2,0 bilhões neste início do ano, algo bastante positivo para a economia, especialmente considerando que o dólar segue em trajetória de queda acumulada em janeiro.

Copom continuará analisando cenário inflacionário

Dessa maneira, percebe-se que o Comitê de Política Monetária deverá continuar atento ao cenário de inflação, verificando se a maior alta dos preços reflete um processo progressivo ou algo pontual. De acordo com a ata, “embora qualitativamente compatíveis com padrões sazonais, o comportamento recente da inflação e as informações preliminares disponíveis para janeiro provocaram uma revisão para cima as expectativas de inflação para o primeiro trimestre, liderada justamente pelos analistas com melhor desempenho histórico na previsão de curto prazo de inflação”.

Assim sendo, a autoridade monetária teme que os fatores circunstanciais possam levar a uma alta da inflação por tempo mais longo, com o aumento dos preços da educação, alimentos in natura e de energia elétrica se estendendo até fevereiro. Neste sentido, o Copom preferiu esperar por sinais mais claros de que a inflação volte a desacelerar para somente então seguir com a flexibilização da política monetária.