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SÃO PAULO – A fraca atividade econômica em 2003, aliada à elevada taxa de desemprego em todo o país, levou muitos pais a simplesmente deixarem de pagar a mensalidade das escolas dos filhos. Dados do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp)
revelam uma elevada taxa média de inadimplência nas escolas particulares em 2003.
Calotes praticamente dobraram em um ano
De acordo com o sindicato, no ano passado a taxa média mensal de inadimplência chegou a 10,8%, percentual bastante superior àquele verificado em 2002 (7%) e 2001 (3%). No acumulado do ano a elevação é ainda mais expressiva, subindo de 10% em 2002 para algo em torno de 19% em 2003. Para o presidente do Sieeesp, com a melhora da economia a expectativa é de que a inadimplência recue para 8% em 2004.
Mesmo com o aumento da inadimplência em 2003, não foi constatado um movimento migratório de alunos das escolas particulares para as escolas públicas. Diante desta situação, a maioria dos pais optou pela mudança para escolas a preços mais acessíveis.
Para se ter uma idéia, de 1996 a 2003 a quantidade de escolas particulares e novos cursos aumentou 118%, levando à redução do número de estudantes por escola. No setor público, o crescimento foi de apenas 17,7%. No total, 1.557.844 alunos frequentaram a rede privada de ensino em um total de 6.500 colégios.
Nem as matrículas saíram este ano
O crescimento da inadimplência, além dos fatores conjunturais, foi afetado também pelo grande número de alunos que sequer foram matriculados nas instituições de ensino. Diretores e proprietários de escolas lembram que para efetuar a matrícula é necessário quitar, ou pelo menos negociar, o pagamento de débitos anteriores.
Normalmente os pais deixam para arcar com estas despesas quando recebem o pagamento do décimo terceiro salário. No entanto, uma boa parte ou não recebeu o benefício ou simplesmente está recebendo o dinheiro extra de forma parcelada.
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Mas se por um lado os pais realmente enfrentam uma situação financeira ruim, existem ainda aqueles que simplesmente esquecem de pagar a matrícula e mensalidade dos filhos. Acontece que eles viajam de férias para a praia e deixam para pagar as referidas contas quando voltam, próximo ao início das aulas, a partir de fevereiro. No início do ano então, tradicionalmente há uma “briga” para se receber dos pais.
Mudança de hábito
Além de enfrentarem dificuldade em cumprir com o pagamento das mensalidades escolares, muitos pais ainda pagam transporte escolar para os filhos, o que incrementa, e muito, os gastos com educação da família. Por este motivo, há uma grande procura por escolas próximas às residências dos alunos. As aulas “extras”, como judô, natação e inglês também estão sendo cortadas da lista de despesas do mês.
Para quem se encontra em situação de inadimplência, as coisas podem não ser tão ruim quanto parecem. É fato que grande parte das instituições tem sido mais flexível na hora de negociar débitos com os pais. O parcelamento da dívida ou concessão de bolsas de estudo, parciais ou integrais, são as soluções mais recorrentes.
Normalmente os pais são chamados para uma conversa franca com a diretoria, que irá questionar sobre o motivo pelo qual as mensalidades estão em atraso. Analisando caso a caso uma solução é encontrada e o aluno pode ser mantido na instituição. Afinal, para a escola é melhor receber aos poucos, em suaves prestações, do que correr o risco de perder um aluno, uma vez que a concorrência no setor é para lá de grande.