Redução da Selic foi fundamental para recuperação do comércio

Segundo o presidente da Fecomércio-RJ, o comércio respondeu de forma positiva ao estímulo das quedas de juros

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SÃO PAULO – O volume de vendas do comércio varejista brasileiro cresceu 3,20% em dezembro ante o mesmo mês de 2002, representando não somente o único resultado positivo do ano passado, mas também o primeiro desde 2002. A Pesquisa Mensal do Comércio – PMC foi divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.

Este resultado confirma o impacto positivo das quedas nas taxas de juros. Na avaliação do presidente da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), Orlando Diniz, o crescimento de 3,2% nas vendas do comércio, constatado pela pesquisa, é “a resposta do setor aos estímulos dados pelo governo, via redução das taxas de juros e melhoria das condições do crédito”.

Contudo, ao considerar o resultado anual, verifica-se queda de 3,68% no volume de vendas. A queda da renda e o desemprego elevado no país deprimiram as vendas no comércio varejista pelo terceiro ano consecutivo, que foram reverter esta tendência somente em novembro do ano passado, com a proximidade das festas de fim de ano.

Desigualdade entre os setores

O presidente da Fecomércio, no entanto, destaca o fato de que “os resultados mostram profunda desigualdade no desempenho dos setores nesta fase de recuperação”. Existem alguns ramos que são beneficiados mais rapidamente pela queda dos juros, já que boa parte das vendas são feitas a prazo. Dentre estes, os setores de “móveis e eletrodomésticos” e o de “veículos, motos, partes e peças”, apresentaram expressiva recuperação no quarto trimestre.

Em contrapartida, os ramos que dependem mais da renda do consumidor, como o de “hipermercados e supermercados” e o de “tecidos, vestuários e calçados”, continuaram com desempenho negativo, com quedas de 1,37% e 0,86%, respectivamente.

Para Orlando Diniz, essas desigualdades deixam clara “a importância da redução dos juros para a recuperação das vendas, bem como a necessidade de recomposição da renda do trabalhador, para que a recuperação do comércio seja mais equilibrada e consistente”.

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Boas perspectivas para 2004

A Fecomércio-RJ está esperançosa em relação ao desempenho do comércio em 2004. “Acreditamos que será o primeiro ano de uma trajetória de resultados positivos para esse setor que, somente no Estado do Rio, representa quase 30% do PIB e gera 1,8 milhão de empregos”, acrescenta.

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