Com maior alta dos preços no atacado, Copom deve manter Selic em março

Comitê deve avaliar reflexos da maior inflação no atacado sobre os preços do varejo; atividade econômica segue em recuperação

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SÃO PAULO – Para quem estava esperando uma retomada da flexibilização da política monetária já no mês de março, os recentes índices de preços certamente foram motivo de frustração, especialmente no caso dos IGPs (Índices Gerais de Preços), da Fundação Getúlio Vargas. Como efeito, o mercado teve que rever suas apostas sobre o comportamento dos juros neste mês.

Neste sentido, com o forte avanço dos preços no atacado persistindo por um tempo além do previsto, a maior parte do mercado aposta que o Copom (Comitê de Política Monetária) completará o terceiro mês seguido sem cortes na taxa básica de juro da economia brasileira, em sua reunião que ocorrerá entre os dias 16 e 17 de março. O que isto significa? A possibilidade de um primeiro trimestre sem corte dos juros.

Copom deve avaliar se maior inflação chegará ao varejo

Nas recentes semanas, os índices de preços trouxeram verdadeiras “dores-de-cabeça” ao mercado, uma vez que sinalizaram, de maneira geral, que o nervosismo no mercado cambial, com as recentes altas do dólar, segue impulsionando os preços industriais. Dessa maneira, o que se viu foi um forte avanço dos IGPs, da FGV, nos quais o IPA (Índice de Preços ao Atacado) tem um expressivo peso de 60%.

O IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), por exemplo, subiu 1,08% em fevereiro, muito acima das projeções do mercado, que apontavam para uma inflação de 0,55%, e também acima da alta de 0,80% registrada em janeiro. A primeira prévia de março do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) também acelerou e apurou uma inflação de 0,66% no período, bem acima da alta de 0,08% registrada na primeira medição do mês anterior.

Apesar deste maior avanço dos preços no atacado, a aceleração inflacionária ainda não chegou de maneira integral ao varejo, como mostram os IPCs (Índices de Preços ao Consumidor) da Fipe e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Vale destacar que este fenômeno é bastante natural, à medida que os IPCs tendem a ser menos sensíveis à variação do dólar, pelo menos no curto prazo.

Preços no varejo subiram menos em fevereiro

Dessa maneira, o IPC da Fipe registrou elevação de 0,19% em fevereiro, bem abaixo da inflação de 0,65% apurada em janeiro. Na primeira quadrissemana de março, por sua vez, o índice da Fipe registrou alta de 0,25%. Com relação ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), do IBGE, a elevação foi de 0,61% em fevereiro, abaixo da alta de 0,76% registrada em janeiro.

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De uma maneira geral, espera-se que estes índices registrem ligeira aceleração em março, por razões sazonais. Assim, o mercado acredita que o Copom decidirá aguardar um pouco mais para saber se a elevação de preços no atacado não será um fator adicional para um repique dos preços no varejo ao longo dos próximos meses, sendo que esta deve ser uma das principais justificativas para a manutenção da Selic em 16,5% ao ano.

Atividade econômica continua dando sinais de melhora

No que se refere à atividade econômica, pode-se dizer que a economia brasileira vem confirmando sua trajetória de recuperação. Neste sentido, a produção industrial do país no mês de janeiro registrou expansão de 1,7% frente a igual mês do ano passado, sendo que, na comparação com dezembro de 2003, a expansão foi da ordem de 0,8%.

Percebe-se, dessa maneira, que, além do cenário de maior inflação no atacado, o Copom tem um argumento extra para a manutenção do juro em março, que é exatamente os sinais mais concretos de reaquecimento da atividade econômica brasileira.