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SÃO PAULO – Surpreendendo a maioria do mercado, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, reduziu a taxa básica de juros da economia brasileira para 16,25% ao ano durante a reunião de março do colegiado, encerrada nesta quarta-feira.
A decisão, que não foi unânime, deve agradar a diversos setores da sociedade, inclusive dentro do próprio governo, que vinham mostrando sua insatisfação com o conservadorismo adotado pela autoridade monetárias nos últimos meses.
Segundo nota do Banco Central “Tendo em vista indicações recentes de redução do risco de desvio da inflação em relação às metas, o Copom decidiu, por seis votos a três, reduzir a taxa Selic para 16,25% ao ano, sem viés”.
BC confirma visão de parte do mercado
Os investidores, assim como diversos segmentos da sociedade, vinham criticando o conservadorismo da autoridade monetária brasileira neste início de ano. De acordo com diversas opiniões do mercado, a aceleração no nível de preços neste início de ano é explicada por fatores sazonais e não tem conseguido elevar os índices de preços ao consumidor, já que a demanda da economia segue muito baixa.
Certamente dentre os fatores considerados pelo Banco Central, vale lembrar que, entre as reuniões do Copom de fevereiro e março, o risco país caiu de 561 pontos para 557 pontos e dólar caiu, de R$ 2,942 para R$ 2,9110, com o relativo abafamento no Caso Waldomiro Diniz e a garantia de farta liquidez internacional dada pelo Banco Central dos EUA, que manteve a taxa básica de juros do país a 1% ao ano.
Economia mostra sinais de expansão, mas emprego cai
No que se refere ao atual desempenho da atividade econômica no país, alguns indícios de recuperação podem ser vistos, permitindo à autoridade monetária uma maior cautela no combate à inflação.
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Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção industrial teve elevação de 0,8% em janeiro em relação ao mês anterior e cresceu em sete das doze regiões analisadas no primeiro mês do ano, segundo o IBGE. Na comparação com janeiro de 2003, o nível de atividade da indústria apresentou elevação de 1,7%, fato que evidencia o efeito positivo dos cortes na Selic efetuados durante 2003.
No entanto, o nível de emprego ainda não mostrou recuperação, sendo que o emprego na indústria foi reduzido em 1,7% em janeiro de 2004 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Da mesma forma, onze dos dezoito setores da economia analisados pelo IBGE em janeiro apresentaram fechamento de postos de trabalho na comparação com o mesmo período do ano anterior, com destaque para a queda de 13,95% no nível de emprego no setor têxtil.