Com menor alta da inflação no varejo, Copom pode retomar cortes da Selic

Ata do Copom destaca que maior alta dos preços no atacado não foi totalmente repassada ao varejo, trazendo otimismo

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SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou em sua última reunião, ocorrida entre os dias 16 e 17 de março, um recuo da taxa Selic de 16,50% ao ano para 16,25% ao ano, por considerar o cenário econômico um pouco mais estável que o verificado anteriormente à reunião de fevereiro.

Foi considerado principalmente o recuo das taxas de inflação e o bom desempenho das exportações e contas externas no mês de fevereiro, além dos desajustes momentâneos causados pelas condições climáticas anômalas no início do mesmo mês. Foi, porém, colocada uma certa preocupação quanto à possível contaminação do aumento verificado nos preços industriais nos preços de varejo.

O Copom achou por melhor considerar esse fator em suas decisões, destacando, porém, que “a experiência dos últimos anos sugere que o repasse do IPA Industrial para a parcela do IPCA representada por produtos industrializados, quando ocorre, tende a ser relativamente rápido. Nesse sentido, os resultados recentes de desaceleração dos preços ao consumidor, a despeito da aceleração dos preços no atacado, são bastante alentadores”.

Bom desempenho traz mais confiança

Depois de sofrer alta por três meses, a inflação medida pelo IPCA para o mês de fevereiro sofreu uma pequena queda de 0,15 ponto percentual em relação a janeiro, atingindo o patamar de 0,61%. A inflação medida por outros índices, como o IPC-Fipe e IPC-Br também apresentou ligeiras quedas em fevereiro, de 0,5 p.p. e 0,8 p.p. em relação ao mês anterior, respectivamente.

Os indicadores relativos às contas externas foram bastante positivos na avaliação do Copom, com superávit na balança comercial para fevereiro de US$ 2 bilhões, projetando-se um total de US$ 24 bilhões para 2004. Isso se verifica por um aumento de 27,1% das exportações e 6,9% das importações. O saldo em transações correntes também apresentou superávit, acumulando US$ 900 milhões desde janeiro desse ano.

O PIB (Produto Interno Bruto), medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), caiu 0,2% em 2003 na comparação com 2002, ficando, porém, dentro das expectativas com que o Copom vinha trabalhando.

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Produção industrial continua trajetória de recuperação

Ainda em relação à atividade econômica, foi verificado um crescimento de 0,8% na produção industrial, quando comparando dados de janeiro desse ano com dezembro do ano passado, segundo série dessazonalizada do IBGE.

Esses dados tornam-se mais interessantes quando se verifica que houve um crescimento de 0,8% na produção industrial de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis, que desde setembro de 2004 não mostrava crescimento. Isso traz a suposição de que a ligeira expansão ocorrida nos demais setores da economia nos últimos meses começa a se disseminar pela cadeia produtiva.

Copom acredita que manutenção inicial foi suficiente

Considerando o contexto descrito acima, a ata do Copom sinalizou que novos cortes da Selic podem ocorrer ainda no curto prazo, desde que não seja verificado um repasse intenso da maior alta dos preços no atacado para o varejo. Dessa maneira, o documento do BC destaca que a manutenção da taxa básica de juro nos dois primeiros meses deste ano foi suficiente para reaproximar a inflação, pelo menos até o momento, de sua trajetória de metas.

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Assim, a leitura da ata sugere que o Copom tende a retomar uma flexibilização gradual da política monetária nos próximos meses, sempre atento, é claro, à evolução dos preços da economia brasileira.