Governo argentino pode permitir reajustes e estimular oferta de energia

Tentando combater a crise, país poderá elevar preço do gás ao consumidor e interromper exportações; Chile protesta

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SÃO PAULO – Tendo em vista a atual crise energética que ameaça a recuperação econômica do país, o governo argentino mostra a intenção de tomar várias medidas para enfrentar o problema, dentre elas estimular a geração elétrica por meio das termelétricas movidas a gás natural, principal fonte de energia do país.

Deste modo, aumentos nos preços do gás natural, que ainda estão congelados pelo Estado, estão sendo considerados para o curto e médio prazo, podendo melhorar o cenário para as empresas elétricas do país. Além disto, a Argentina poderá interromper as exportações de energia para o Chile, também visando suprir o consumo local.

Governo pretende anunciar maiores preços para o gás

Em audiência publica que poderá ocorrer na terceira ou quarta semana de abril, o governo argentino espera propor um aumento nos preços do gás natural, abrindo espaço para um maior estímulo à maior geração elétrica no país e oficializando o combate à crise energética que poderá prejudicar a economia local.

Segundo os analistas da Merrill Lynch, que publicaram relatório sobre o assunto na segunda-feira, o preço do gás poderá subir do patamar atual, entre US$ 0,35 e US$ 0,40/ MCF, para US$ 0,70/MCF imediatamente. Para julho de 2005, o banco projeta um valor do gás ao consumidor de US$ 1,00/MCF. No entanto, destaca a Merrill Lynch, um reajuste no curto prazo seria apenas para o setor industrial, sendo poupadas as classes comercial e residencial.

Mesmo com um maior preço do gás estimulando a oferta de energia e pressionando a demanda, a Merrill Lynch acredita que fatores importantes como a limitada capacidade de distribuição do produto via dutos e os altos custos de outras fontes energéticas, como combustíveis mais caros como óleo diesel, podem dificultar a recuperação do nível de geração elétrica nos próximos meses.

Chile critica intenção Argentina de reduzir exportações

País cuja oferta de energia depende da importação de gás natural da Argentina, o Chile critica a intenção do país vizinho de reduzir suas exportações do produto, o que poderá provocar um provável racionamento no Chile, já que a capacidade de geração hidrelétrica no país é limitada.

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Neste cenário, os analistas da Merrill Lynch avaliam que a Endesa Chile é a empresa mais exposta financeiramente por esta crise energética, já que opera no Chile tanto na geração hidrelétrica (74% de seu potencial), como na geração termelétrica movida a gás, que corresponde ao restante de seu potencial. Deste modo, mesmo com a dificuldade na geração movida a gás natural, a empresa poderá ser beneficiada pela inauguração do potencial hidrelétrico de 570 MW, referente à usina Ralco.