DPMFi cresceu 2,25% em março, com pré-fixados ampliando participação

O prazo médio para o pagamento da dívida diminuiu para 29,95 meses, pela maior participação de títulos pré-fixados

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SÃO PAULO – O prazo de pagamento da dívida atingiu o menor patamar desde 2000, conforme constatação da Nota do Mercado Aberto, divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira. Por outro lado, o perfil da dívida pública melhorou, pois o Tesouro Nacional continuou reduzindo sua exposição à variação cambial no mês março.

De acordo com os números do BC, a dívida pública mobiliária federal interna (DPMFi) registrou um crescimento de 2,25% em março, tomando-se como base de comparação o mês de fevereiro, atingindo, assim, um total de R$ 759,84 bilhões. Tal aumento é devido, principalmente, à apropriação de juros e à emissão líquida de títulos, no valor de R$ 6,1 bilhões.

Prazo médio das emissões recua em março

O prazo médio para o pagamento da dívida do governo federal diminuiu de 30,71 para 29,95 meses, em decorrência da elevada participação relativa de títulos pré-fixados, de prazos mais curtos, nas emissões do mês. Em tese, prazos menores de pagamento significam maior dificuldade para o financiamento da dívida, pois necessita-se rolar com mais freqüência a dívida.

Para se ter uma idéia, o prazo médio de emissão das LTNs (Letras do Tesouro Nacional), que são títulos pré-fixados, passou de 12,64 meses em fevereiro para 14,55 meses em março, ao passo que o prazo médio das LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), títulos atrelados à Selic, reduziu-se de 61,87 meses para 61,16 meses no mesmo período. Por outro lado, o prazo médio das NTN-B/NTB-C aumentou de 65,41 meses em fevereiro para 119,23 meses em março.

Aumenta participação de pré-fixados na DPMFi

Além disso, de acordo com os dados do BC, a participação dos títulos pré-fixados na DPMFi registrou elevação no período considerado, passando de 13,59% em fevereiro para 15,41% em março. Para se ter uma idéia, em março do ano passado a participação dos pré-fixados na dívida pública era de apenas 2,41%, conforme mostram os dados do BC.

O aumento da parcela dos títulos públicos pré-fixados sobre o total da DPMFi revela a forte procura por estes papéis, já que pagam juros que não variam em caso de mudanças no humor do mercado. Logo, são considerados mais seguros.

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BC continua reduzindo exposição cambial

Outro destaque nos dados divulgados pelo BC refere-se à clara continuidade da estratégia de redução da exposição cambial do setor público. Isto torna-se evidente ao analisarmos a queda da participação dos títulos atrelados à variação cambial na composição da DPMFi. Neste sentido, a participação destes títulos passou de 10,18% em fevereiro para 9,23% em março.

Estes dados vieram em linha com a estratégia anunciada recentemente pelo Banco Central, que pretende melhorar o perfil da dívida pública, reduzindo a exposição do governo às fortes oscilações do dólar. Somente para termos de comparação, vale destacar que no final de 2002 os títulos atrelados ao câmbio tinham uma participação de 22,38% no total da DPMFi, segundo os números do Banco Central.

Na mesma direção, cabe mencionar que a parcela dos títulos atrelados à Selic caiu ligeiramente, alcançando 59,98% em março frente aos 60,67% de fevereiro.