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SÃO PAULO – Após longas rodadas de negociações com a base aliada e os governadores, o Planalto conseguiu mais uma vitória, com o texto básico da Reforma Tributária sendo aprovado em primeiro turno na Câmara dos Deputados, garantindo, assim, o bom desempenho do mercado brasileiro como um todo na primeira semana de setembro. Dessa maneira, tanto o dólar quanto os juros futuros acumularam queda no período, refletindo o maior otimismo do mercado com o cenário político.
Avanço da Reforma trouxe otimismo ao mercado
Neste sentido, o quadro político novamente foi destaque nesta semana, com as atenções dos investidores sendo cada vez mais direcionadas para a Reforma Tributária. No início da semana, as lideranças governistas intensificaram os trabalhos de articulação junto aos partidos da base, de forma a aparar as arestas e permitir uma votação satisfatória do texto na Câmara dos Deputados. As negociações, contudo, não foram tão fáceis quanto imaginava o governo, sendo que o maior entendimento foi obtido mediante novas concessões do Planalto.
Assim, após uma longa reunião que se estendeu por toda a terça-feira, ficou acertado que o relator do projeto, deputado Virgílio Guimarães (PT-SP), redigiria uma emenda aglutinativa com os principais pontos de alterações na proposta inicial, de forma a ser levado a plenário para votação na quarta-feira. Como a versão final do texto só foi divulgada no final do dia, a votação da Reforma Tributária atravessou a noite e somente foi concluída na madrugada de quinta-feira, com resultado favorável ao governo, sendo 378 votos a favor e 53 contra, do total de 431 deputados presentes.
Dos 378 votos favoráveis obtidos pelo governo, 339 foram provenientes da base aliada, o que significa que, caso contasse apenas com os votos dos partidos aliados, ainda assim o Planalto conseguiria aprovar o texto, uma vez que o mínimo necessário é de 308 votos. Dessa maneira, o desempenho da base governista mostrou-se bem melhor do que aquele apresentado na época da Reforma da Previdência, quando a soma dos votos obtidos com os parlamentares aliados não chegava nem perto do mínimo necessário.
Dessa maneira, o texto aprovado pela Câmara em primeiro turno incluía a repartição de 25% das receitas com a Cide (Contribuição sobre a Intervenção do Domínio Econômico) entre estados e municípios, na proporção de 75% para os estados e 25% para os municípios. Além disso, o texto prevê a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira) até 2007, além de fixar um período de 11 anos para que o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) passe a ser cobrado no destino. Na próxima semana, serão votados os destaques e emendas ao projeto.
Tarifas impulsionaram inflação ao consumidor em agosto
Com relação às notícias de cunho econômico, o destaque ficou para a divulgação, na quarta-feira, do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe, referente ao mês fechado de agosto, quando foi apurada uma inflação de 0,63%, acima das perspectivas de 0,51% apontadas pelo relatório Focus, do Banco Central. Vale destacar que em julho o IPC da Fipe apurou variação negativa de 0,08%, como produto da queda dos preços dos alimentos e transportes naquele mês.
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O avanço do índice em agosto, contudo, não surpreendeu a Fipe, que já esperava uma inflação em torno dos 0,60%, uma vez que os reajustes tarifários, especialmente nas contas de luz e telefone, tiveram grande peso no orçamento do consumidor no referido mês. De acordo com os dados da Fipe, os reajustes da energia elétrica e da telefonia contribuíram, no conjunto, para uma variação positiva de 0,54 ponto percentual do índice no mês. Assim, a maior inflação em agosto não chegou a preocupar o mercado, refletindo apenas um comportamento pontual.
No âmbito da atividade econômica nacional, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou, na sexta-feira, sua Pesquisa Mensal Industrial – Produção Física, apurando uma queda de 2,5% na produção da indústria brasileira em julho, quando na comparação com igual período do ano passado. Em relação a junho deste ano, a indústria registrou, contudo, leve alta de 0,4% em sua produção. Vale destacar que na comparação anual, a queda somente não foi maior em função do bom desempenho dos segmentos voltados à exportação e ao agronegócio.
Mercado norte-americano teve bom desempenho
Nos Estados Unidos, por sua vez, a primeira semana de setembro também foi de maior otimismo, refletindo os bons indicadores divulgados ao longo do período. Neste sentido, mereceram maior destaque os índices sobre a atividade industrial e também do setor de serviços, sendo que em ambos os casos registrou-se maior expansão econômica. Além disso, o Beige Book, relatório sobre a atividade econômica local, também trouxe boas perspectivas e aumentou o otimismo.
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Os ganhos somente não foram maiores em função do fraco desempenho dos indicadores referentes ao mercado de trabalho, de forma que o número de pedidos de auxílio-desemprego voltou a superar a barreira crítica dos 400 mil pedidos, além do fato do número de postos de trabalho ter registrado forte queda em agosto, segundo o relatório do emprego divulgado na última sexta-feira. Ainda assim, as principais bolsas norte-americanas encerraram a semana em alta.
No mercado de petróleo, por sua vez, o forte aumento dos estoques norte-americanos da commodity e também de gasolina pressionaram a queda dos preços na semana. Neste sentido, a demanda por gasolina, por exemplo, registrou queda de 3,4% na semana terminada em 30 de agosto, refletindo o final da estação de férias de verão no Hemisfério Norte. Dessa maneira, o barril de petróleo Brent encerrou a semana cotado a US$ 27,21, acumulando, assim, forte queda de 7,73% no período.
Dólar e juros futuros caíram
Com o otimismo dos investidores se estendendo também ao mercado de câmbio, o dólar acumulou forte queda de 2,42% na semana, fechando cotado a R$ 2,9070. O principal foco das atenções continuou sendo o cenário político, após a aprovação da Reforma Tributária em primeiro turno na Câmara dos Deputados. Dessa maneira, o dólar atingiu seu menor patamar dos últimos trinta dias.
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No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda, com as projeções de novos cortes da Selic nos próximos meses. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 18,73% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 19,33% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 21,13%, frente a uma taxa de 21,20% registrada na semana anterior.
O Ibovespa, por sua vez, apresentou um excelente desempenho na semana, acumulando fortes ganhos de 4,78% no período. Vale destacar que, além do otimismo em relação ao cenário político e econômico, grande parte dos ânimos deveu-se às boas perspectivas corporativas, sobretudo após a gigante Petrobras revisar as estimativas de suas reservas descobertas em abril no Espírito Santo de 70 bilhões para 400 bilhões de metros cúbicos, o dobro das reservas brasileiras atuais.
Índices de preços serão foco na 2ª semana de setembro
A segunda semana de setembro, por sua vez, deverá ser marcada pela divulgação de um grande número de índices de preços tanto no mercado doméstico quanto no mercado norte-americano. No cenário interno, o IBGE divulgará o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e o IPCA (Índice Preços ao Consumidor – Amplo), ambos referentes ao mês de agosto. A Fundação Getúlio Vargas divulgará a primeira prévia de setembro do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) e o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) referente a agosto.
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Ainda no âmbito econômico, o IBGE divulgará sua Pesquisa Industrial Mensal da Produção Física – Regional referente a julho. No quadro político, o foco deverá ficar com a votação dos destaques e emendas ao texto básico da Reforma Tributária, com início marcado para a terça-feira na Câmara dos Deputados. No Senado, o relator do projeto de Reforma da Previdência, Tião Viana (PT-AC), deverá continuar com a redação do parecer sobre o projeto aprovado na Câmara.
No mercado norte-americano, por sua vez, serão divulgados importantes indicadores, como o PPI (Producer Price Index), o Consumer Credit, o Wholesale Inventories, o Trade Balance, o Retail Sales e o Michigan Sentiment.