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SÃO PAULO – Com as maiores apostas acerca da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa básica de juro da economia – a Selic -, o mercado brasileiro como um todo apresentou um bom desempenho na segunda semana de setembro, de forma que tanto o dólar quanto os juros futuros encerraram o período em queda. Além disso, a emissão de US$ 750 milhões em bônus soberanos também contribuiu para o otimismo do mercado no período.
Mercado projeta novo corte da Selic pelo Copom
Dessa maneira, os investidores concentraram suas atenções nos índices de preços divulgados ao longo da semana, em especial para o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe e para o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), além do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), estes últimos pela Fundação Getúlio Vargas. Neste sentido, o IPC da Fipe apurou uma inflação de 0,91% na primeira quadrissemana de setembro, acima da variação positiva de 0,63% registrada no mês fechado de agosto.
Por sua vez, a primeira prévia de setembro do IGP-M apurou uma inflação de 0,69%, enquanto o IGP-DI registrou um avanço de 0,62% no mês fechado de agosto, acima das projeções contidas no relatório Focus, que apontavam para uma inflação de 0,48% no mês. Além disso, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), ambos referentes ao mês de agosto.
O IPCA apontou uma inflação de 0,34% no período, em linha com as expectativas contidas no Focus, porém acima da variação positiva de 0,20% registrada em julho, ao passo que o INPC apurou uma variação positiva de 0,18%, após ter registrado alta de 0,04% no mês anterior. A aceleração dos índices refletiu, basicamente, os reajustes tarifários da energia e telefonia no período, de forma que os preços livres, ou seja, aqueles influenciados pelas forças de oferta e demanda do mercado, continuam sob controle.
Dessa maneira, o mercado intensificou suas apostas em relação a novos cortes da Selic na reunião do Copom, que ocorrerá entre os dias 16 e 17 de setembro, apostando em uma redução entre 1,5 e 2,0 pontos percentuais. Dessa maneira, caso a autoridade monetária opte pela ponta superior das expectativas, então a Selic passará do seu atual patamar de 22,0% ao ano para 20,0% ao ano. Para o final de 2003, as projeções contidas no Focus apontam para um patamar de 18,0% ao ano.
Brasil concluiu meta de captação soberana de 2003
Um outro fator que contribuiu para o maior otimismo do mercado nesta semana foi a conclusão, pelo Banco Central, na condição de agente do Tesouro Nacional, de uma emissão de US$ 750 milhões em bônus soberanos com vencimento em 7 de agosto de 2011 na última quinta-feira, confirmando as especulações do mercado financeiro nas vésperas da operação. Os títulos têm um cupom de 10,0% ao ano, de forma que foram reabertos com um spread de 633 pontos base em relação aos Treasuries norte-americanos.
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Com esta emissão, o Brasil completou sua meta de emissão soberana para 2003 – de US$ 3,0 bilhões – uma vez que em duas operações anteriores, uma em abril e outra em junho, já haviam sido captados US$ 2,25 bilhões pelo Banco Central. A operação foi liderada pelo Citigroup e pelo Goldman Sachs, conforme anunciado pelo BC. Vale destacar que o sucesso da operação refletiu a boa percepção dos investidores em relação aos fundamentos da economia brasileira.
Mercado norte-americano teve um fraco desempenho
O mercado norte-americano, por sua vez, apresentou um fraco desempenho na semana, refletindo a divulgação de fracos indicadores ao longo do período, com destaque para a queda da confiança do consumidor na preliminar do mês de setembro. Além disso, os indicadores do mercado de trabalho também não foram satisfatórios, uma vez que o número de pedidos de auxílio-desemprego registrou uma forte elevação na semana terminada em 6 de setembro.
No cenário corporativo, as ações de empresas do setor de tecnologia foram o destaque negativo, em função das perspectivas de fraco resultado anunciadas pela finlandesa Nokia no início desta semana. Dessa maneira, a recomendação dos papéis do setor foi reduzida por alguns bancos de investimento dos Estados Unidos, o que fez com que muitos investidores ampliassem suas vendas.
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No mercado de petróleo, por sua vez, o foco manteve-se direcionado para os estoques norte-americanos da commodity, após a inesperada queda dos mesmos na semana terminada em 5 de setembro. Contudo, como a demanda por gasolina registrou retração no mesmo período, o preço do barril tipo Brent, negociado no mercado de Londres, acumulou queda de 1,62% na semana, fechando a sexta-feira cotado a US$ 26,77.
Dólar e juros futuros caíram
Com o otimismo dos investidores se estendendo também ao mercado de câmbio, o dólar acumulou leve queda de 0,28% na semana, fechando cotado a R$ 2,8990. Os investidores projetaram maiores captações de empresas brasileiras no mercado externo, especialmente após a AmBev concluir emissão de bônus. Além disso, a emissão soberana de US$ 750 milhões também contribuiu para a queda da moeda norte-americana frente ao real.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda, com as projeções de novos cortes da Selic na próxima reunião do Copom. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 18,39% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 18,73% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 20,82%, frente a uma taxa de 21,13% registrada na semana anterior.
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O Ibovespa, por sua vez, apresentou um excelente desempenho na semana, acumulando fortes ganhos de 3,28% no período. Vale destacar que, além do otimismo em relação ao cenário político e econômico, grande parte dos ânimos deveu-se às boas perspectivas corporativas, sobretudo após o acordo firmado entre a norte-americana AES, controladora da Eletropaulo, e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para equacionar as dívidas da primeira com o banco de fomento.
Copom será foco na terceira semana de setembro
A terceira semana de setembro será bastante agitada tanto no cenário doméstico quanto no norte-americano. No mercado brasileiro, o destaque ficará para a reunião mensal do Copom, que ocorrerá entre terça-feira e quarta-feira, sendo que nesta data será anunciado o novo patamar da taxa Selic. Após o corte de 2,5 pontos percentuais em agosto, o mercado acredita que a autoridade monetária deverá reduzir a taxa básica de juro da economia entre 1,5 e 2,0 pontos percentuais.
Além disso, os investidores deverão analisar importantes índices de preços a serem divulgados, com destaque para o IPC da Fipe referente à segunda quadrissemana de setembro e a segunda prévia de setembro do IGP-M. O Banco Central, por sua vez, divulgará sua tradicional Nota do Mercado Aberto referente ao mês de agosto, enquanto o IBGE divulgará a sua Pesquisa Mensal do Comércio, referente ao mês de julho.
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Nos Estados Unidos, por sua vez, importantes indicadores serão divulgados, dentre eles o Business Inventories, o New York Empire State, o Industrial Production, o Capacity Utilization, o Consumer Price Index (CPI), o Core CPI e o Housing Starts. Contudo, o maior destaque ficará para a reunião do Federal Reserve (Fed).