Publicidade
SÃO PAULO – Com as atenções direcionadas para a reunião mensal do Copom (Comitê de Política Monetária), o mercado brasileiro como um todo registrou um bom desempenho na terceira semana de setembro, especialmente após a autoridade monetária confirmar as expectativas e cortar a taxa básica de juro da economia – a Selic – em dois pontos percentuais. Dessa maneira, os juros futuros encerraram a semana em queda, enquanto o dólar acumulou leve alta no período.
Decisão do Copom trouxe otimismo ao mercado
Neste sentido, o Comitê de Política Monetária esteve reunido entre terça-feira e quarta-feira para discussão do cenário macroeconômico local e definição do novo patamar da taxa Selic, até então fixado em 22,0% ao ano desde a reunião de agosto. Considerando os últimos índices de preços divulgados pelo mercado, que aceleraram sua alta mais em função dos preços administrados do que dos preços livres, o Copom anunciou, na noite de quarta-feira, um corte de dois pontos percentuais na taxa básica de juro, que passou, assim, para 20,0% ao ano.
A dimensão do corte da Selic ficou em linha com as expectativas da maior parte do mercado, garantindo, assim, o maior otimismo dos investidores. Neste sentido, a Selic atinge o menor patamar desde setembro do ano passado, quando a taxa básica de juro da economia brasileira era de 18,0% ao ano. Para os próximos meses, o mercado acredita que a autoridade monetária dará continuidade ao afrouxamento da política monetária, ainda que de forma mais tímida, após os quatro cortes consecutivos desde junho. Assim, o relatório Focus, do BC, projeta uma Selic em torno dos 18,0% ao ano para o final de 2003.
Inflação volta a acelerar nos primeiros dias de setembro
Ainda no âmbito econômico, o mercado seguiu atento aos índices de preços divulgados ao longo da semana. Neste sentido, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe apurou uma inflação de 0,89% na segunda quadrissemana de setembro, mostrando uma ligeira desaceleração na comparação com a primeira quadrissemana do mês, quando os preços ao consumidor subiram 0,91%. Contudo, na comparação com o mês fechado de agosto, ainda pôde ser verificado um maior avanço dos preços, visto que naquela época, o IPC da Fipe registrou variação positiva de 0,63%.
No atacado, contudo, a alta dos preços foi sentida de forma mais intensa, uma vez que a segunda prévia de setembro do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), da Fundação Getúlio Vargas, apurou uma inflação de 1,04% no período, bem acima da variação positiva de 0,18% registrada pela segunda prévia do mês anterior e superior, também, à inflação de 0,69% apurada na primeira prévia de setembro. Na sexta-feira, a FGV divulgou o IGP-10 referente ao mês de setembro, apurando uma inflação de 0,95%, após o índice ter registrado variação positiva de 0,21% em agosto.
Governo avança com tramitação das Reformas estruturais
No quadro político, por sua vez, a semana novamente foi marcada por um avanço do governo tanto na Câmara quanto no Senado, com a Reforma Tributária e da Previdência, respectivamente. Neste sentido, após uma verdadeira “queda de braço” com a oposição, o Planalto conseguiu concluir a votação em primeiro turno na Câmara da Reforma Tributária, derrubando grande parte dos destaques e emendas propostos pela oposição.
Continua depois da publicidade
Na próxima semana, o texto da Reforma Tributária segue para o segundo turno no plenário da Câmara dos Deputados, de forma que o governo amplia as articulações para novas vitórias. Vale destacar que, nesta última semana, o líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante (PT-SP), já admitiu que a Reforma Tributária deverá ser fatiada, de forma que apenas a prorrogação da DRU (Desvinculação das Receitas da União) e da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2007, além da criação do fundo de compensação dos estados pela desoneração das exportações, devem ser aprovados em 2003.
Com relação à Reforma da Previdência, o foco nesta semana foi a entrega do parecer do relator do projeto, Tião Viana (PT-AC), na quarta-feira. Neste sentido, o relatório de Viana preservou o texto aprovado pela Câmara dos Deputados, deixando para que as alterações fossem feitas no plenário durante as discussões. Na próxima semana, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa deve iniciar as discussões e muito possivelmente a votação do texto.
Indicadores favoreceram bom desempenho nos EUA
No mercado norte-americano, por sua vez, a semana também foi marcada pelo maior otimismo, sustentado por bons indicadores no mercado imobiliário e também no mercado de trabalho. Neste sentido, o número de pedidos de auxílio-desemprego registrou queda maior que a esperada na semana terminada em 13 de setembro, voltando a um patamar inferior a 400 mil pedidos no período. Além disso, o indicador sobre a atividade industrial na região de Nova York registrou elevação bastante superior à esperada.
Continua depois da publicidade
Contudo, o maior destaque da semana nos Estados Unidos ficou, certamente, com a reunião do Federal Reserve (Fed), que, após uma análise criteriosa da economia local, decidiu pela manutenção da taxa básica de juro do país no atual patamar de 1,0% ao ano, o menor nível em 45 anos. Na quinta-feira, a autoridade monetária divulgou a Ata da reunião de agosto, revelando que a economia norte-americana ainda apresenta traços bastante tímidos de uma recuperação.
No mercado de petróleo, por sua vez, a commodity acumulou forte queda na semana, refletindo uma elevação superior à esperada pelo mercado dos estoques norte-americanos do petróleo. Além disso, as perspectivas favoráveis em relação à reunião da OPEP, cartel que congrega os principais exportadores mundiais da commodity, também pressionaram os preços do petróleo para seu menor nível em quatro meses. Dessa maneira, o barril tipo Brent fechou a sexta-feira cotado a US$ 25,32, acumulando uma forte queda de 5,42% na semana.
Dólar subiu, mas juros futuros caíram
Apesar do maior otimismo dos investidores em relação à economia brasileira, o dólar acumulou leve alta de 0,14% na semana, fechando cotado a R$ 2,903. A alta da moeda norte-americana neste período pode ser explicada pelo maior movimento de compra por parte dos investidores, aproveitando-se do baixo preço relativo da divisa frente ao real. Além disso, as novas regras de rolagem do Banco Central também contribuíram para impulsionar a moeda norte-americana.
Continua depois da publicidade
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda, após o Copom confirmar as projeções e cortar a Selic em dois pontos percentuais. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 18,13% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 18,39% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,73%, frente a uma taxa de 20,82% registrada na semana anterior.
O Ibovespa, por sua vez, voltou a apresentar um excelente desempenho na semana, acumulando fortes ganhos de 2,62% no período. Assim como ocorrido na semana anterior, os papéis do setor elétrico voltaram a se destacar, após o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) anunciar seu novo plano de capitalização para o setor, destinando um montante de recursos que chega a R$ 3,0 bilhões para elétricas que atendam aos critérios estabelecidos pelo banco de fomento.
Índices de preço serão foco na última semana do mês
A quarta semana de setembro será bastante agitada no mercado brasileiro, com a divulgação de importantes índices de preços e também de relatórios do Banco Central. Pelo lado dos índices de preços, o destaque ficará para o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15) referente ao mês de setembro, além do IPCA-E (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – Série Especial), referente ao terceiro trimestre, ambos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Continua depois da publicidade
A Fipe também divulgará seu IPC referente à terceira quadrissemana de setembro. O Banco Central também fará importantes divulgações, com destaque para a Ata do Copom, explicando os motivos que levaram a autoridade monetária a cortar a Selic em dois pontos percentuais, a Nota do Setor Externo e a Nota da Política Monetária e Operações de Crédito, todas referentes ao mês de agosto. Também será divulgado o Resultado do Tesouro Nacional, enquanto o IBGE divulgará sua Pesquisa Mensal do Emprego referente a agosto.
Nos Estados Unidos, por sua vez, a semana promete ser mais calma, de forma que serão divulgados indicadores como o Durable Good Orders, o Existing Home Sales, o New Home Sales, o GDP e o Michigan Sentiment.