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SÃO PAULO – Refletindo o novo quadro de ajuste externo da economia brasileira, os dados contidos na Nota do Setor Externo, divulgada no final da manhã desta sexta-feira pelo Banco Central, dão conta de um superávit de US$ 432 milhões do balanço de pagamentos brasileiro no mês de agosto, configurando um resultado bem melhor que aquele registrado em igual período do ano passando, quando o saldo era negativo em US$ 2,184 bilhões.
Tal melhora decorreu, basicamente, de uma forte elevação do saldo de transações correntes, motivada pelo maior superávit via balança comercial, e também por um considerável encolhimento do déficit na conta de capital e financeira durante o mês de agosto. Dessa maneira, no acumulado do ano, o balanço de pagamentos já registra superávit de US$ 9,513 bilhões, bastante acima dos US$ 792 milhões apurados em igual período do ano anterior.
Balança comercial impulsiona saldo da conta corrente
Neste sentido, o saldo de transações correntes, um dos mais importantes itens do balanço de pagamentos, registrou considerável superávit de US$ 1,220 bilhão no mês de agosto, bem superior, dessa maneira, ao resultado positivo de US$ 305 milhões apurado em igual período do ano anterior. Tal resultado reflete uma forte elevação do superávit da balança comercial na comparação entre os dois períodos, de forma que este passou de US$ 1,577 bilhão em agosto de 2002 para US$ 2,674 bilhões em igual período deste ano.
A conta de serviços e rendas, por sua vez, registrou uma ligeira piora na mesma comparação, estendendo seu resultado negativo de US$ 1,501 bilhão registrado em agosto do ano passado para US$ 1,690 bilhão em igual período deste ano. As transferências unilaterais correntes líquidas, por sua vez, ficaram praticamente estáveis entre os dois períodos, passando de US$ 229 milhões em agosto do ano passado para US$ 236 milhões em agosto deste ano, conforme os dados divulgados pelo Banco Central.
Dessa maneira, analisando-se os dados referentes ao acumulado dos primeiros oito meses do ano, chegamos à confirmação de que o setor externo brasileiro segue em um processo de ajuste, visto que a balança comercial já apresenta superávit de US$ 15,128 bilhões no período, superior aos US$ 5,367 bilhões alcançados em igual período do ano anterior e aos US$ 13,146 bilhões registrados em todo o ano de 2002. Com relação à conta de serviços e rendas, houve uma melhora na mesma comparação, com o déficit sendo reduzido de US$ 15,431 bilhões para US$ 14,509 bilhões entre agosto de 2002 e o mesmo mês de 2003.
Déficit da conta de capital e financeira recua
A melhora da conta corrente se fez acompanhada de uma expressiva evolução da conta de capital e financeira no mês de agosto deste ano, de modo que o déficit financeiro atingiu US$ 707 milhões em agosto de 2003, frente ao saldo negativo de US$ 2,544 bilhões registrando em igual período do ano passado. Tal melhora refletiu, basicamente, uma elevação dos investimentos estrangeiros diretos líquidos, que passaram de US$ 882 milhões em agosto de 2002 para US$ 980 milhões em igual mês deste ano, representando uma alta de 11,1% na comparação.
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No acumulado do ano, contudo, o resultado não é tão animador, visto que a conta de capital e financeira aponta para um superávit de US$ 8,488 bilhões nos primeiros oito meses deste ano, abaixo dos US$ 10,222 bilhões alcançados em igual período do ano anterior. Tal queda reflete o menor saldo de investimentos estrangeiros diretos líquidos no período, que passou de US$ 11,429 bilhões entre janeiro e agosto do ano passado para US$ 5,727 bilhões no mesmo período deste ano.
Melhora generalizada em agosto
Dessa maneira, pode-se dizer que o resultado do setor externo no mês de agosto veio em linha com o desempenho favorável apresentado nos últimos meses, refletindo a continuidade do processo de ajuste via balança comercial e melhora da conta de capital, com a maior entrada de investimentos estrangeiros diretos no país. A dívida externa no primeiro semestre deste ano alcançou US$ 219 bilhões, o que representa uma elevação de US$ 3,6 bilhões na comparação com o mês de março.
Apesar desta elevação, houve uma melhora na estrutura da dívida, com aumento dos vencimentos de médio e longo prazo (+ US$ 5,9 bilhões na mesma comparação) e queda da dívida de curto prazo (- US$ 2,4 bilhões também em comparação a março deste ano). Assim, nos próximos meses, os números do setor externo deverão continuar favoráveis, com o maior aumento do superávit da balança comercial e os menores déficits na conta de capital e financeira.