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SÃO PAULO – Com as melhores perspectivas para a economia brasileira nos próximos meses, o mercado brasileiro como um todo apresentou um bom desempenho na segunda semana de outubro, especialmente em função de maiores apostas dos investidores no sentido de que o rating soberano do Brasil poderia ser elevado pelas agências de classificação de risco. Dessa maneira, dólar e juros futuros acumularam queda na semana.
Discussões sobre Reforma Tributária intensificaram-se
No cenário político, o destaque novamente ficou com a tramitação das reformas estruturais no Congresso Nacional, de forma que o principal foco continuou com as discussões em torno da Reforma Tributária. Neste sentido, foram realizadas audiências públicas entre os senadores e os empresários para discutir a matéria, de forma que os representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) reivindicaram a fixação de um limite para elevação da carga tributária.
De acordo com o empresariado, o atual projeto de Reforma Tributária não melhora as condições para a indústria, visto que não desonera os investimentos, chegando, até mesmo, a dificultá-los, à medida que abre precedentes para uma maior carga de impostos. Outro ponto criticado pela CNI diz respeito ao sistema de cobrança proposto para o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços).
Contudo, não foram somente os empresários que ampliaram as pressões sobre os senadores, visto que os prefeitos aproveitaram as discussões para reivindicarem uma maior participação no bolo tributário. Neste sentido, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) pretende que os senadores elevem a participação dos municípios na receita tributária do atual patamar de 22,0% para 27,5%, além de pedirem também uma maior fatia da Cide (Contribuição sobre a Intervenção do Domínio Econômico).
Apostas de elevação do rating animaram mercado
Com relação às notícias de cunho econômico, o foco do mercado ficou voltado, principalmente, para as maiores apostas em uma elevação do rating brasileiro por agências internacionais de classificação de risco. Tais apostas intensificaram-se na quarta-feira, após a Moody’s elevar a classificação de risco da Rússia da área de speculative grade para investment grade, cinco anos após o país decretar moratória.
Dessa maneira, considerando-se os bons fundamentos da economia brasileira, os investidores acreditam que o Brasil poderá ter seu rating elevado nos próximos dias, visto que as metas fiscais vêm sendo cumpridas com relativa tranqüilidade, além do fato de o governo continuar mostrando um grande comprometimento com a austeridade monetária do setor público. Além disso, cabe destacar que boa parte do mercado acredita que o governo poderá realizar uma nova emissão de títulos soberanos nos próximos dias.
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Inflação desacelera no início de outubro
Ainda no âmbito econômico, os principais índices de preços mostraram um comportamento favorável, visto que a inflação deu sinais consistentes de desaceleração nos primeiros dias de outubro. Neste sentido, a Fundação Getúlio Vargas divulgou a primeira prévia de outubro do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), apurando uma inflação de 0,37% no período, bem abaixo da variação positiva de 1,18% registrada no mês fechado de setembro.
Neste mesmo sentido, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe, divulgado na sexta-feira, apontou para uma inflação da ordem de 0,73% na primeira quadrissemana de outubro, abaixo da alta de 0,84% apurada em setembro. Também foram divulgados índices referentes a setembro, de forma que o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) registrou variação positiva de 1,05% no referido mês, abaixo dos 1,10% esperados pelo mercado.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), por sua vez, anunciou os resultados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) e do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), ambos referentes a setembro. Neste sentido, o IPCA avançou 0,78% em setembro, levemente acima da inflação de 0,70% esperada pelo mercado, enquanto o INPC apresentou uma variação positiva de 0,82% no referido mês.
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Mercado norte-americano registrou bom desempenho
No que se refere ao mercado internacional, as bolsas dos Estados Unidos apresentaram um bom desempenho ao longo desta semana, com os investidores analisando importantes resultados corporativos, como o do portal de internet Yahoo!, do conglomerado GE e da Alcoa. Além disso, os indicadores conjunturais divulgados no período também tiveram destaque, em especial após um deles – o Initial Claims – apurar queda do númer de pedidos de auxíli0-desemprego.
Com relação ao mercado de petróleo, o barril tipo Brent encerrou a semana cotado a US$ 30,90, acumulando uma forte elevação de 7,63% no período. A forte alta da commodity refletiu, basicamente, o temor do mercado em relação ao possível início de uma greve na Nigéria, maior produtor africano de petróleo, além das perspectivas de forte elevação na demanda por petróleo durante os meses de inverno.
Dólar e juros futuros acumularam queda
Refletindo o maior otimismo dos investidores, o dólar acumulou queda de 1,97% na semana, fechando cotado a R$ 2,830. A queda da moeda norte-americana reflete o maior otimismo dos investidores em relação à economia brasileira, especialmente após as perspectivas de elevação do rating soberano por parte de agências internacionais de classificação de risco.
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No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda, refletindo a desaceleração inflacionária nos primeiros dias de outubro. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,78% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,92% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,10%, frente a uma taxa de 19,34% registrada na semana anterior.
O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por um bom desempenho, refletindo o otimismo dos investidores em relação ao cenário doméstico, de uma maneira geral. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista chegou a ultrapassar a barreira psicológica dos 18 mil pontos durante a sessão de quinta-feira, o que não era visto desde março de 2000. Assim, o índice acumulou forte alta de 3,43% na semana.
Terceira semana de outubro deverá ser tranqüila
Ao contrário do ocorrido na segunda semana de outubro, a terceira semana do mês deverá ser bastante calma no mercado brasileiro, sendo, contudo, muito agitada no mercado norte-americano. No Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) deverá divulgar importantes relatórios sobre o nível de atividade econômica, como a Pesquisa Mensal do Comércio, a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional e a Pesquisa Mensal do Emprego e Salário, todos referentes ao mês de agosto.
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No cenário político, o destaque ficará para a apresentação do parecer do relator da Reforma Tributária, Romero Jucá (PMDB-RR), previsto para a quarta-feira. Dessa maneira, as discussões em torno desta matéria deverão se intensificar nos próximos dias, visto que o relatório de Jucá deverá alterar, pelo menos, 25% do conteúdo do projeto aprovado pela Câmara dos Deputados, conforme sinalizado pelo próprio relator.
No mercado norte-americano, por sua vez, serão divulgados importantes indicadores: o Retail Sales, o New York Empire State, o Fed’s Beige Book, o CPI, o Business Inventories, o Industrial Production, o Capacity Utilization, o Philadelphia Fed Index, o Housing Starts, o Building Permits e o Michigan Sentiment.