Brasil emite US$ 1,5 bilhão em bônus globais, com menor spread do ano

Além de ser a maior emissão no governo Lula, operação mostra menor spread do ano e confirma melhor perspectiva do mercado

Publicidade

SÃO PAULO – O Brasil concluiu, nesta quarta-feira, sua quarta emissão de dívida soberana nova do ano, levantando junto ao mercado US$ 1,5 bilhão em bônus globais com prazo de sete anos. Com isso, o total obtido no ano, excluindo operações de troca de dívida, já atinge US$ 4,5 bilhões, acima da meta inicial de US$ 3 bilhões.

Além do montante da operação, a maior desde o início do novo governo, os termos da operação foram atrativos para o Brasil, dado que o spread, ou margem sobre os títulos do Tesouro norte-americano, foi de 561 pontos base, contra 633 pontos base em operação com vencimento em 2011 realizada em setembro.

Melhores perspectivas e maior demanda

Além da melhor perspectiva dos investidores em relação à economia brasileira, os termos favoráveis da nova operação foram obtidos também em função da migração de recursos de títulos de países emergentes de retorno mais baixo, como a Rússia, por exemplo, para países de maior retorno, como o Brasil.

Outro fator positivo foi o pagamento de juros de títulos Brady, como os C-Bonds e os Par Bonds, realizado pelo Brasil nesta quarta-feira, que em parte acabaram sendo reinvestidos em ativos brasileiros através da nova emissão.

Principais termos

Os bônus globais, em operação liderada pelos bancos de investimentos norte-americanos Merrill Lynch e CSFB, pagam um cupom de 9,25% ao ano e foram emitidos a um preço de 98,992% do valor de face, correspondendo a um rendimento, ou yield, de 9,45% ao ano. Os novos bônus globais, cujo montante previsto incialmente era de US$ 1 bilhão, vencem em 22 de outubro de 2010.