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SÃO PAULO – Com os investidores analisando a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa básica de juro da economia, o mercado brasileiro como um todo apresentou um fraco desempenho na quarta semana de outubro. Neste sentido, além da reunião do Copom, o mercado direcionou seu foco para os vários índices de preços divulgados e também para o parecer do relator da Reforma Tributária, Romero Jucá (PMDB-RR), entregue na quarta-feira.
Copom não surpreende e corta Selic em 100 pontos base
Durante os primeiros dias da semana, as atenções estiveram voltadas, basicamente, para a reunião do Comitê de Política Monetária, que decidiria, na quarta-feira, o novo patamar da Selic, até então em 20,0% ao ano. Neste sentido, os investidores já acreditavam que a autoridade monetária promoveria um corte, mas de magnitude inferior às últimas reduções verificadas na taxa, em função da preocupação da equipe econômica com uma possível aceleração inflacionária no início do próximo ano.
Em linha com as expectativas, no início da noite de quarta-feira, o Copom anunciou um corte de 100 pontos base na Selic, que caiu, portanto, para 19,0% ao ano. Vale destacar que o mercado amplia as expectativas de que os próximos cortes da taxa básica de juro deverão ser mais conservadores, visto que o governo teme que os preços voltem a acelerar no final deste ano em função da maior demanda tradicional no período.
Índices de preços mostram tendências distintas
Ainda no aspecto econômico, a semana foi marcada por uma grande quantidade de índices de preços divulgados, mostrando o comportamento recente da inflação. Dessa maneira, a Fipe iniciou a semana apurando uma variação positiva de 0,78% do seu IPC (Índice de Preços ao Consumidor) na segunda quadrissemana de outubro, uma ligeira aceleração frente à inflação de 0,73% apurada na primeira quadrissemana do mês. Vale destacar, contudo, que a alta do índice foi menor do que o avanço de 0,84% registrado no mês fechado de setembro.
Com relação à segunda prévia de outubro do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), foi apurada uma inflação de 0,37% no período, bem abaixo da alta dos preços de 1,04% registrada na segunda prévia de setembro. Neste sentido, os preços desaceleraram tanto no atacado quanto no varejo, refletindo, de um lado, uma menor alta dos preços dos alimentos e, de outro, uma menor influência dos reajustes tarifários, que pressionaram o orçamento do consumidor nos meses anteriores.
A Fundação Getúlio Vargas também divulgou o seu IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10), que apresentou um avanço de 0,67% em outubro, menor que a inflação de 0,95% registrada em setembro. Além disso, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15), apurando uma alta de 0,66% dos preços em outubro, acima da inflação de 0,57% registrada no mês de setembro.
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Jucá retira pontos polêmicos do parecer sobre Tributária
No aspecto político, por sua vez, o destaque, nesta semana, ficou para a apresentação do parecer do relator da Reforma Tributária, Romero Jucá (PMDB-RR), na quarta-feira à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Neste sentido, Jucá manteve grande parte do texto aprovado na Câmara, procurando não alterar os pontos básicos – a chamada “espinha dorsal” – do projeto. Dentre estes pontos, podemos enquadrar a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e da DRU (Desvinculação das Receitas da União) até 2007.
Por outro lado, como já era esperado pelo mercado, o relator do projeto retirou do texto aprovado os pontos mais polêmicos, dentre os quais tem destaque especial a questão da cobrança do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) no destino ao invés da origem. Dessa maneira, como o parecer de Jucá agrega algumas emendas apresentadas pelos senadores, o relator acredita que o projeto não deverá ter dificuldades para ser aprovado no Senado.
Mercado norte-americano teve fraco desempenho
Com relação ao mercado norte-americano, por sua vez, as principais bolsas dos Estados Unidos apresentaram um fraco desempenho na semana, com os investidores analisando os resultados corporativos divulgados ao longo do período. De uma maneira geral, embora alguns resultados tenham ficado acima das expectativas, as projeções para os próximos meses não são animadoras, fato que despertou grande preocupação dentre os investidores.
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No mercado de petróleo, por sua vez, o barril tipo Brent fechou cotado a US$ 28,58 em Londres, acumulando uma queda de 1,55% na semana. Vale destacar que o movimento apresentado pelos preços do petróleo refletiu as declarações do presidente da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) sobre uma possível elevação da produção do cartel caso os preços seguissem acima do patamar de US$ 28,00 por 20 dias seguidos. Além disso, os estoques norte-americanos de combustíveis apresentaram uma inesperada elevação na semana terminada em 17 de outubro.
Dólar subiu, mas juros futuros caíram
Refletindo um movimento de ajuste, o dólar ficou praticamente estável nesta semana frente à semana anterior, fechando cotado a R$ 2,8700. O comportamento da moeda norte-americana refletiu, basicamente, uma maior cautela por parte dos investidores, que aguardavam a decisão do Copom sobre a Selic e também seguiam atentos à rolagem de cambiais promovida pelo Banco Central.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de leve queda, apesar do movimento de ajuste ocorrido logo após o anúncio da Selic pelo Copom. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,75% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,76% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 18,65%, frente a uma taxa de 18,78% registrada na semana anterior.
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O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por um tímido desempenho, com os investidores optando pela realização de lucros nos últimos pregões da semana. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista, acumulou leve alta de 0,13% no período, com os investidores atentos aos resultados divulgados e também às melhores perspectivas para os bancos brasileiros.
Índices de preços serão foco na última semana de outubro
A última semana de outubro deverá ser bastante agitada, tanto no mercado doméstico quanto no norte-americano. No Brasil, serão divulgados importantes índices de preços, com destaque para o IPC da Fipe referente à terceira quadrissemana de outubro e também o IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas, referente ao mês fechado de outubro. O Banco Central também fará importantes divulgações, com destaque para a Nota da Política Monetária e das Operações de Crédito, além da Ata do Copom.
No cenário político, por sua vez, a última semana do mês deverá ser marcada pela intensificação das discussões em torno do parecer apresentado por Romero Jucá sobre o projeto de Reforma Tributária aprovado na Câmara dos Deputados. O relator acredita que, por agregar o conteúdo de algumas emendas, o texto deverá ser facilmente aprovado pelo Senado.
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Nos Estados Unidos, o principal foco ficará com a reunião do Federal Reserve (Fed) para decisão da taxa básica de juro do país. Outros importantes indicadores também serão divulgados, como o Existing Home Sales, o New Home Sales, o Durable Good Orders, o Consumer Confidence, o Employment Report, o GDP, o Personal Income, o Personal Spending, o Michigan Sentiment e o Chicago PMI.