Comparando o retorno dos planos de previdência e dos fundos de investimento

Previdência oferece tratamento fiscal vantajoso, mas alocação de carteira é mais conservadora e custos são mais altos

Publicidade

SÃO PAULO – É consenso entre os brasileiros a opinião de que o sistema de previdência social esteja prestes a decretar falência. Dessa forma, para aqueles que buscam manter o mesmo padrão de vida durante o período de aposentadoria existe a opção de adquirir um plano de previdência privada.

Este cenário tem levado os brasileiros a se preocupar cada vez mais com o futuro, como indica um levantamento feito pela Principal Financial Group, maior empresa de previdência complementar dos EUA. De acordo com o levantamento, brasileiros e franceses estão entre os mais pessimistas com relação ao seu futuro após se aposentarem. Ambos os países estão passando por reformas do seu sistema de Previdência Social.

Fundos tradicionais batem retorno

Contudo, de acordo com os dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) nos últimos 360 dias encerrados em 22 de julho, os fundos de investimento tradicionais apresentam rentabilidade superior ao ganhos dos fundos de previdência no mesmo período.

Isso se deve ao fato dos fundos de previdência terem um perfil mais conservador em relação aos demais tipos de fundos, visto que os recursos dos fundos de previdência devem ser destinados a manutenção do padrão de vida do investidor durante o período de aposentadoria.

Entenda as diferenças

Por sua vez, os fundos de previdência também possuem um horizonte de longo prazo, ou seja, os recursos devem ser investidos por um prazo mais longo para que o retorno seja atrativo. Além disso, é aconselhável que esse dinheiro não sofra alterações, ou seja, deve se evitar utilizar esse fundo para cobrir despesas extraordinárias.

Já os fundos de investimentos são ideais para constituição de um patrimônio “financeiro” ou para a realização de algum objetivo. Existem pessoas que aplicam em fundos buscando garantir um montante de recursos necessário para uma viagem ao exterior ou em alguns casos para custear os estudos do filho na universidade.

Continua depois da publicidade

Escolher entre um fundo de previdência e um fundo de investimento depende do perfil do investidor, dos objetivos, do prazo do investimento, e principalmente, da disciplina em aplicar os recursos. Além disso, deve se considerar os benefícios fiscais que os fundos de previdência oferecem, pois permitem a dedução do valor investido no período do Imposto de Renda, desde que respeitado o limite de 12% da renda bruta anual do investidor.

Nesse sentido, antes de qualquer escolha é importante realizar uma profunda análise e “pesar” na balança os prós e contras de cada forma de investimento. Caso a escolha já tenha sido tomada e o investidor optou pelo fundo de previdência, é válido lembrar que existem diferentes perfis de fundos de previdência, que podem ser de renda fixa ou variável, com alavancagem ou sem.

No momento da aquisição do plano de previdência, no contrato estará especificado qual o tipo de fundo de previdência escolhido. Abaixo listamos as subcategorias de fundos de previdência acompanhadas pela Anbid.

Esses fundos acompanham a mesma metodologia dos fundos de investimento em relação à composição da carteira e os índices de referência, a única diferença reside no fato de que a duração dos títulos que compõem sua carteira de investimento dos fundos de previdência é, em geral, maior.

Além disto, nos fundos de previdência é cobrada uma taxa adicional além da taxa de administração, a taxa de carregamento. Esta taxa é cobrada sobre o valor de todas as contribuições no momento do investimento. Algumas instituições já oferecem planos com taxas decrescentes de forma que o investidor que mantiver seu dinheiro aplicado por um prazo mínimo entre 3 e 5 anos acaba sendo isento das taxas de carregamento depois desta data.

Finalmente existe o aspecto tributário, além da possibilidade de dedução dos valores investidos, nos fundos de previdência o investidor não paga IR até a hora em que optar resgatar estes recursos. Neste momento pagará imposto sobre o valor sacado com base na tabela progressiva de IR, ou seja, valores sacados abaixo de R$ 1.058 estarão isentos, enquanto sobre valores acima de R$ 2.115 será cobrada alíquota de 27%. Em contrapartida, nos fundos de investimento tradicionais você paga IR na fonte ao final de cada mês e alíquota usada é única de 20%.

Continua depois da publicidade

Rentabilidade

Ao analisarmos o diferencial de rentabilidade entre as sub-categorias de fundos de investimento tradicionais com as respectivas sub-categorias de fundos de previdência o que se contata é que o retorno dos fundos tradicionais é maior.

Esta diferença tende a ser mais relevante nos fundos que não aplicam exclusivamente em renda fixa, como é o caso dos fundos multimercados, sugerindo que a alocação de recursos dos fundos de previdência em renda variável é bastante conservadora. Ao que tudo indica estes fundos demoraram mais para voltar ao mercado de ações do que os fundos tradicionais e daí os ganhos mais limitados.

A única subcategoria de fundos de investimentos que apresenta valorização inferior ao da previdência é a de referenciados outros, com variação positiva de 33,03% versus 34,27%, respectivamente.

Continua depois da publicidade

Na tabela abaixo é possível comparar a diferença na rentabilidade dos fundos tradicionais e os de previdência:


































Tradicional vs. Previdência
Rentabilidade – 360 dias até 22/07 “Normal” Previdência
Referenciado Fundo DI 23,78% 20,91%
Referenciados Outros 33,03% 34,27%
Renda Fixa Tradicional 23,03% 21,83%
Renda Fixa Crédito 23,75% 21,85%
Renda Fixa Multi-Índices 25,91% 24,51%
Multimercados sem ações 26,81% 23,30%
Multimercados com ações 28,72% 18,15%

Fonte: Anbid, data 22/07.